sexta-feira, 28 de março de 2008

(137) VERDADE E FICÇÃO

fotocantodocarlos - manta rota
Este blog teve o seu inicio há alguns anos, noutro servidor, com outros nomes. resultado de dois factores, ambos da mesma raiz, curiosidade e aprendizagem duma tecnologia até então mais dominadora que dominada.
Era pois pressuposto acontecesse aquilo que no meu percurso tem sido habitual: experiência, toque e fuga sem entregar armas.
Fui porém enredado, como em algumas outras, poucas, ocasiões e a experiência resultou na continuidade.
Sou disciplinado e daí a rigidez, quer do estilo quer da sistematização e da própria apresentação.
Defeitos de certo modo mutantes em virtudes, facilitadoras do acesso a entradas antigas.
Acusaram-me de mentir nos meus escritos.
Reservei um pouco da minha gasta paciência no exame do problema, não porque tal me incomode, mais por não ser essa a intenção.
Servindo-me da facilitação já mencionada, abri as arcas e, dentre tesouros e quinquilharia, acabei por apreciar a manutenção deste arquivo.
Algumas dessas entradas, embora tesouros pessoais, não deixam de me causar algum embaraço.
Por vezes desconheço o discurso, noutras reconheço entre linhas o sem sentido da vida na sua continua dinâmica, permitindo deixar para trás o que na verdade já não é, e sem a relevância ao momento de então, como descargas eléctricas de actividade perdida neste tempo/espaço sem medida.
Cheguei a conclusões conhecidas.
Nem tudo na vida são verdades e abunda a ficção no parco espaço chamado de percurso de vida.
Nem sempre gostamos de nos centrar no epicentro da acção e a ficção não passará da franja de verdades que nos passam ao lado e evitamos ou raramente temos coragem de agarrar, preferindo as simulações que nos isentam dos precipícios a que a prática pessoal com frequência conduz.
E assim vai navegando o meu intimo, evitando despir-se de todo pelo uso do ténue véu das minhas próprias verdades e ficções.
E aqui sim, na esperança do engano a mim próprio, coloco a verdade na ficção e faço trocas no enredo.
Não é mentira, diria esperança...
Esperança de mudança !

terça-feira, 25 de março de 2008

(136) SONS

fotocantodocarlos
....
DOIS SONS RICOS
...
DE OURO E PRATA

(135) PRIMAVERA

fotocantodocarlos
INTENÇÃO NA MISTURA
HARMONIA, COR, RITMO
SUBLIME SENTIDO DA NATUREZA
GARANTE DO RENOVO

(134) FANTASIAS








LOUCURAS NA VARZEA
AR
AGUA
TERRA
E ALGUM FOGO
fotoscantodocarlos

(133) DE FRENTE E DE COSTAS


POR MIM, CONFESSO, NÃO ACHO GRANDE DIFERENÇA, NEM TÃO POUCO GRAÇA
E, MENOS AINDA,
ASO PARA PETULÂNCIA.
...

PODE SER QUE O VALOR ESTEJA NO QUE ESCONDEM NA CABEÇA ?! PODE SER...
fotocantodocarlos

(132) CONTRASTES

fotocantodocarlos
O ESPAÇO E O TEMPO A SEPARAR DUAS REALIDADES

quinta-feira, 20 de março de 2008

(131) OS BONS E OS MAUS








...
Sei quão subjectivo é o conceito e difícil de definir.
Genericamente os maus são os "papões" e os bons os que "se portam bem", ideia transmitida às criancinhas, resultando na contenção da exuberancia do momento.
Será contudo um mau serviço prestado ao devir, verificando-se o logro quando adultos.
O mal e o bem serão duas acções interdependentes.
Existem um pelo outro e são servidos numa balança de pratos em que o fiel está aferido no espaço e nas suas dimensões e no ajustamento feito pelos homens segundo a época em que respiram.
Eliminando uma dessas figuras, por escolha o mal, seja ele qual seja, os homens não conheceriam de todo o bem pela ausência do seu oposto e de "bem" seria a sua prática diária e continuada, pura e límpida, mundo de amor e luz.
Quando penso nisto idealizo uma larga mesa onde se sentassem dez homens famintos e, perante um deles, fosse colocado um grande e olorento pão, acabado de sair do forno.
Que lindo seria se esse homem, superando a fome, empurrasse o pão ao lado e dissesse: -Tu primeiro !
E se o pão desse a volta e a ele regressasse intacto ?
Aqui já mora a utopia.
Torna-se difícil encontrar dez homens bons.
E dificílimo reuni-los a uma só mesa.

sábado, 15 de março de 2008

(130) OUTRO RECANTO






Parece pintura. Não é !


Está ali, ao virar da esquina.
Apanha o olhar perdido ....
E cativa viajantes





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(129) O MAL MENOR

fotocantodocarlos
Sempre me confundiu o falacioso argumento daquele amigo que, a desabafo duma nossa desgraça, se vale da tradicional palmada nas costas, à laia de conforto afectivo, exclamando
- Deixa lá, podia ser pior !
Mas claro que podia, novidade não é e todos o sabemos.
Até mesmo no capitulo final, diferentes tipos de morte podem ocorrer, mais elaborados uns, outros não tanto, conduzindo porventura ao mesmo desenlace.
Vem o tema à pena, ao lembrar história há muito ouvida sobre a forma desenvolta, airosa e até prazenteira, de mascarar uma má noticia, como se de boa se tratasse.
E ai vai ! A um quartel e ao oficial de dia chegou ordem de comunicar ao praça 31 o falecimento do pai.
Sendo chata a má nova e embaraçosa também, logo o homem, valendo-se da hierarquia, pensou no seu descarte e, chamando o sargento, endossou o sarilho.
Assim e de posto em posto foi o comando rolando até cair no 41, tido pelo chalado da companhia.
E, raso como era, não cabiam mais endossos. À façanha se lançou, procurando o 31 a quem disse:
- Eh pá, senta-te, tenho chatas noticias para ti.
Houve um acidente na tua terra e morreu toda a tua família e também a namorada.
Foi pronto e largo o pranto, sob o olhar matreiro do astuto mensageiro que, passados alguns minutos, abrindo largo sorriso, continuou:
- Meu sacana. És um gajo cheio de sorte, só morreu o teu pai.
Logo surgiu alegria no rosto do 31.
Risonho e já refeito, respondeu: Obrigado, obrigado !

Maliciosa, a graça contida, não pode ficar por aqui.
E fiquei a matutar. Afinal porque choramos ?
Mais por pena de nós do que pelo sofrimento alheio ?

(128) VIOLÊNCIA

Um murro num prédio, enfim, mas força e capacidade para virar a cabeça a uma mulher !?


Mesmo tratando-se de Olivia
(e palito), é obra.


Sorte a do malandro não andar por ali o Popeye e a sua lata de espinafres.
fotocantodocarlos

segunda-feira, 3 de março de 2008

(127) PALADINOS





Em dias "conturbados" e com o
Lucky distraído, ainda bem que
havia por aí outros personagens.




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(126) JOGOS DE CAMA

Foto feita na expectativa duma brincadeira.
Conheço um sujeito fanfarrão, cujo libido voa alto, contador de grandes aventuras centradas no seu declarado desempenho.
A gabarolice nunca assenta bem e é, mor das vezes, efeito de voos simplesmente planados por evidente falta de combustível.
Mas bem, sem lhe mostrar a foto e após uma das suas fantásticas narrações, aproveitando o contexto, mansamente lhe fui dizendo terem-me dado à dica um sitio onde os jogos de cama eram variados, pareciam satisfazer em pleno e a despesa de somenos.
A seu pedido, dei-lhe o endereço e preparei-me ao desfecho.
Voltou mais tarde, não fulo, antes risonho e ainda bem. O riso é o sal da cozinha da vida e ganha sempre quem sabe rir das suas próprias fraquezas e esse mérito lho concedo.
Episódio passado, restou-me duvida na atribuição da culpa do logro.
Ao seu libido em alta, conluiado às vielas tortuosas do seu cérebro, ou à publicidade pouco cuidada, a esquecer essas outras vielas do nosso idioma ?
Nhã, pensando melhor, a culpa principal cabe à pitada de malícia que botei no produto e ainda me atrevo a tratar o idioma deste modo ligeiro e leviano.
Sem remédio... alguém terá de me perdoar !

(125) OUTRO ADEUS

fotocantodocarlos
INFERNO OU PARAÍSO ?

(124) "CRIMINALIDADE"









fotocantodocarlos
Os Dalton voltam a atacar.
Desta vez a caixa multibanco.
O aríete é a cabeça do mano "mais inteligente".
Safaram-se...
O Lucky andava por ali, mas distraído com o seu charro.

sábado, 1 de março de 2008

(123) A DITADORA

Vive comigo. Sempre viveu.
Propunha-me aqui traçar o seu perfil, sem hierarquias, nem extremar defeitos ou virtudes.
Sem a sua presença temo porventura não levar a missão a bom porto, prova evidente da minha absoluta dependência.
Possessiva, impulsiva e também sonhadora.
No seu devaneio, usa trair.
Pequenas traições, logo por mim perdoadas.
Rebusca sem pejo o meu sótão, abrindo velhos baús e libertando fantasmas, virtuais que sejam, sendo capaz de me volver o passado, no seu cortejo de felicidades e pesares e tentar que o viva no presente ou impondo as suas influencias no futuro.
Presente e omnipotente assim me submete, de conluio com amigas da sua inteira confiança, primazia dada a uma de estranha alcunha, Consciência, sua ajudante por inteiro na quebra do meu sossego.
Ganas me dão, por vezes, de a repelir, deixar, esquecer e fugir, convicto de encontrar o vazio e aí uma réstia de sombra, talvez a felicidade do nada.
Muitos há que o fazem, endossando o sofrimento aos que os amam e rodeiam.
Mas não, não quero dela prescindir.
Ela é também a luz que me dá alento no percurso, propõe desafios e enredos, mostra-me o lado lúdico da vida e o seu gracioso sem sentido.
Fá-lo de sorriso matreiro, conhecendo o meu empenho e gosto.
Agora está a cutocar-me e tem razão, afinal ainda não a apresentei.
Aí vai; é para mim um privilégio apresentar a minha excelente e querida Memória e, pese embora este meu desabafo, tenho de dar graças por aturar este seu mau feitio.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

(122) PRONTA A SERVIR

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NO SEU ENQUADRAMENTO, ATENTA E VIGILANTE

(121) A GRAÇA DA GRAÇA

fotocantodocarlos
ALTANEIRO, ENTRE AZUL E VERDE

(120) RECANTOS

fotocantodocarlos



POR AQUI
POR ALI
OLHANDO O AZUL

(119) A POMBA

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HOMENAGEM AOS DA PAZ

(118) A PEDALAR

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ASES COM ASAS NOS CEUS DESTA TERRA

(117) FIM DE DIA

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MAIS UM DE FIM DIA SEM GARANTIA DOUTRO
Assisti a um belo improviso dum autarca no esclarecimento das actividades em prole dos idosos da zona.
Desconhecia parte delas, sendo evidente o mérito das mesmas que, como foi dito e bem, acrescem anos à vida, pelo animo e inclusão de quem, em paz e naturalmente, vai entregando os pontos.
Esse mesmo esforço vem sendo exercido pelo avanço nas tecnologias da saúde, notoriamente levando a esperança de vida mais além, tendo apenas o somenos de, por vezes, se limitar a acrescer anos à morte...

(116) DOR E SAUDADE

fotocantodocarlos

SAUDADE

DOS QUE CAIRAM

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

(115) METAMORFOSES II

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MAIS APARENCIA, MENOS ESSENCIA

(114) METAMORFOSES

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LARGO FOSSO SEPARA A APARÊNCIA DA ESSÊNCIA

(113) CARICIAS

fotocantodocarlos
NÃO TARDA CAI A LUZ DO DIA
E ANTES DE PARTIR
DEIXA-SE ENLAÇAR NA RAMARIA


quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

(112) VERDADEIRA POBREZA

Já antes aqui gabei a captação de vivências nos públicos transportes, compensadoras, por vezes, do maralhal de corpos e vozearia, próprios de grande mercado.

Desta vez sobressaia discurso por certo bebido em cruzadas politicas, contra patrões e governos, geradores de desemprego e a receita, milagrosa, debeladora da crise, ali era sugerida.

Porque, não havia direito, a filha, há seis meses empregada ainda não era afectiva.
De repente fiquei só.

Completamente só não diria, ficou comigo uma sombra de tristeza.
Tive por força de procurar a luz !

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

(111) AMIZADE


O melhor amigo do homem.
Talvez não. Eu tenho outros. talvez poucos, muito poucos, pouquíssimos...
Mesmo sem mo dizerem sei que me amam e muito, muitisssimo...
Nessa área não tenho dúvida da minha riqueza.
Quanto a este melhor amigo do homem, a natureza não lhe concedeu hipótese de apresentar queixa da estranha forma com que alguns homens lhe retribuem essa amizade.
Uns ficam atónitos, outros mordem.


Aí até parecem humanos !

sábado, 19 de janeiro de 2008

(110) A PELE








Esta larga a pele, por inteiro, tranquila.
Estávamos ao balcão, bebendo café.
Alguém se prontificou a pagar a dolorosa e, brincalhão, achou caro.
De pronto e com energia, a dona do boteco apresentou argumento relevante.
Pediu então ele licença para passar ao outro lado. Concedida e lá chegado, arregalou os olhos de espanto, exclamando: Olha, afinal é barato !
É isto !
Para aceitar e compreender o outro, temos por força de tomar o seu lugar, observar suas teorias e expectativas, indo fundo para descobrir as causas de tais efeitos, vestir-lhe a pele, digo eu.
A tarefa não é facilitada.
Há que superar a nossa inércia, o preconceito, a forma de estar na vida.
Se a pele a envergar for ligeiramente apertada ou justa, carecerá apenas de alguns pequenos ajustes por tão semelhante à nossa.
A dificuldade crescerá com o excesso de aperto ou largura, até ao momento em que por demasia não nos podemos enfiar nela ou nos escorrega pelos ombros.
Aqui, pela extensão dos efeitos, até serão incompreensíveis as causas e teremos de aceitar quão forte terá sido a pancada.
Resta-nos então a compaixão por essas quedas ao fundo do poço e o estender de mão na esperança da não exclusão.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

(109) A SUSPENSÃO

Do comentário anónimo ao texto anterior, ressalta a subjectividade do belo na exposição do horrível.
Foi essa a minha intenção ao colocar ali aquela garra de cinco dedos, descarnados e torcidos pela natureza.
Horrível, contudo bela no seu horror.
A foto de hoje, semelhando uma pequena briga de nuvens ao cair da noite, não deixa de ser bela e pacifica e perdoarão qualquer coisinha mas o tema é a felicidade, esse estado de que todos falam, poucos definem e muitos anseiam.
Também não me meto nos tortuosos caminhos da definição, prefiro senti-la como estado de espírito, quando algo me pacifica e dá prazer, seja ele físico, místico, intelectual, abstracto até.
Aí estou de bem comigo, sem barreiras, sem fronteiras, e mal grado saiba da efémera presença, como lampejo, há sempre uma réstia de desejo de poder.
Poder suspender a vida e ali ficar pairando, usufruindo do bembom.
O bom senso diz-me porém que o erro seria crasso.
Por um lado não seria justo (qualidade de quase todos os poderes supremos); outros seres estariam de certo em sofrimento e teriam a sua dor prolongada e, por outro, o prazer continuado, sem limites, perde as suas qualidades de excepção, é banal.
Cabe-me assim não sonhar, receber a dádiva quando surge, fugaz que seja e, quando volto à encruzilhada, sorrir porque tive.

domingo, 13 de janeiro de 2008

(108) OS APLAUSOS E A MÃO



Se queres aplausos, diz o que gostam de ouvir.

Todavia, se mudarem de opinião e mantiveres a tua ambição, inverte desde logo o teu discurso.
Seguirás aplaudido mas terás de te cuidar.
As mãos podem volver em garras. Cinco dedos bem afiados e não só.
Na aparente bonança da tua consciência, breve sentirás a tempestuosa mudança.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

(107) DOENÇAS FATAIS



DIAGNÓSTICO: vida
TRANSMISSÃO: sexual
MORTALIDADE: 100%
NOTA: Sendo a mortalidade garantida, existem porventura diversas hipóteses de adoçar ou amargar a existência, segundo o gosto do paciente.
São processos muito elaborados com o nome genérico de SENTIMENTOS e com uma abrangência do AMOR ao ÓDIO, cobrindo esse leque VIRTUDES e DEFEITOS.
É concedido ao paciente o livre arbítrio desde que seja contido e use da necessária moderação.
Para o efeito vem o mesmo equipado de sofisticado PC com disco de muitos gigas, não existindo qualquer garantia de bom funcionamento.

(106) PARECE... NÃO SERÁ ?




É dia ! À porta de minha casa.
Será o SOL será a LUA ?









De forma a preservar a sanidade, deveria ser descartado o conhecimento alargado.
Há dias fui questionado sobre as cores que via em duas quadriculas contíguas integradas num conjunto geral do tipo tabuleiro de xadrez.
A coisa era para mim liquida, isenta de duvida, "tinto" como diz o povo.
Uma era branca, a outra castanha, como todas as restantes do desenho.
Rápida, cientifica e eficazmente fui desiludido. Sem truque, magia ou ilusão.
Não! Eram as duas de cor semelhante, escura.
Assustei-me, sem entrar em pânico, reconhecendo culpa ao grande inquisidor, este meu cérebro, que controla a belo prazer a filtragem do que posso conhecer, e, vez em quando, por descuido ou a propósito, alarga o crivo.
Nesta barafunda de meias verdades e passado o teste, escancara-se a porta da sala do Espanto e Consternação e a Duvida aproveita para se apoderar de mim.
Será que na ternura da caricia a tua pele é tão macia quanto sinto ?

domingo, 23 de dezembro de 2007

(105) LÁGRIMAS E SORRISOS


NÃO CHORES PORQUE PERDESTE
SORRI PORQUE TIVESTE
Sendo o lugar comum, fácil não é cumprir a máxima.
Só quem tiver coragem e ousadia de viver a vida como ela deixa, na plenitude, sem a falaciosa presunção de eternizar o momento.

sábado, 22 de dezembro de 2007

(104) A TROCA

Sem perder urbanidade, definitivamente preteri o urbano pelo rústico, ou até pelo deserto e pelo grande mar, naquela fronteira onde vivem as idas e vindas das marés, em que areia e água rítmica e com frequência se acariciam docemente. Fronteira onde não raro surgem tesouros, dentre o silencio borbulhado da água revolta.

O somenos, quando não desejado, é o vento, a emprestar violência à relação.

A experiência conta-me todavia ser garantida a bonança e a doçura voltará.

Nesses meus devaneios, tento contacto com outros seres, nesta mania de me fazer entender, sabendo bem que, por regra natural, esses seres usam vocabulário curto e eficaz e reconhecem a paz do outro.

Por vezes até sou gratificado pela chuva d'oiro do fim de dia.

Talvez esteja a pedir muito !

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

(103) AS GARATUJAS


Quando entro no virtual ventre do passado, lembra-me a época em que as criticas ao poder instituído, pelo apertado controlo, só poderiam ser descarregadas na privacidade e, desse modo, quando, e só por absoluta necessidade, me servia dum sanitário publico, era garantida a distracção enquanto decorria a função.
As garatujas enchiam paredes e portas, maldosas umas, porcas outras e algumas escondendo verdades nas pregas do humor.
Enfim local único para transcrever ideias e opiniões proibidas noutros espaços pela verdade contida.
Lembra-me a graça duma delas. Na porta, frente à sanita, em letra miúda o suficiente para nos fazer aproximar a cabeça nos limites da curiosidade e a surpresa quando se conseguia ler o escrito:
"cuidado, está a fazer fora da sanita"
e também poderia ser verdade.
Enfim, pachola a malta daquele tempo, dona de algum sentido de humor, negro que fosse.
Hoje, as chamadas novas tecnologias (e se d'ontem já velhas são) não deixam espaço a qualquer privacidade e suponho nem mesmo os sanitários escapem.
As garatujas das portas e paredes passaram livremente à imprensa diária, tendo sido retirada a adrenalina e o respectivo gozo.
O pior de tudo é que nem parecem verdades.
Ou não serão mesmo ?

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

(102) PAVÕES








DOIS ANIMAIS DISTINTOS E CONTEMPORANEOS

ATÉ PODERIA AFIRMAR, AMBOS BELOS.

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A beleza aparente da ave e a ostensiva demonstração da mesma, encaminha o nosso preconceito pelas vias da petulância, vaidade e outras menos virtuosas qualidades. Todavia a pobre apenas obedece ao impulso da continuação da espécie, cumprindo o modus pela natureza imposto.
Aqui fica por compreender a razão pela qual o peru, ave muito semelhante, foi menos beneficiada.
Porventura não será a fêmea tão exigente.
No homem, animal pensante, supostamente inteligente, pese embora a presença do mesmo impulso, seriam requeridas outras virtudes, "mais virtuosas", menos petulantes.
Vamos supor que a natureza o beneficiou de algum agasalho natural, peludo por força, o qual foi perdendo na luta para emendar a mesma natureza, já aí demonstrando mau uso do que lhe foi emprestado.
Ele ataviou-se a seu modo e foi alardeando essencialmente maus hábitos, preterindo a humildade de reconhecer ter vindo ao mundo nu e dentre fezes e urina.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

(101) ERVILHAS


Não sou de grandes manjares, vos garanto e do prato me aproveito para suprir a obrigação imposta na caminhada.
Contudo, as ervilhas. Ah as ervilhas, e como gosto delas.
Não só pelo verde também pela textura.
Tanto delas gosto que nem faz sentido que as coma. Porém, hoje tem de ser.

A memória coloca na linha da frente um saboroso e divinal creme delas com que amiga minha me presenteia quando me convida a jantar. Lembra-me também a arrepiante dificuldade e rigor na confecção. É um espreme espreme e tira peles num longo espaço de tempo, estilo quebra paciências.
Uma canseira, quanto a mim inibidora da gostosura, espaço e tempo até com melhor proveito noutras artes.

Tento por isso reduzir o labor quando o desejo me vem.
Ah aqui está a lata. Basta um clique e até cozidas já estão.
Não deixam de ser doces e saborosas, porventura não tanto.
Satisfazem muito bem. A pele não lha tiro. Não resisto a peles macias.
P.S.: O prato foi alindado para a foto, não é regra.
Foram cinco minutos a preparar e pouco mais a mastigar.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

(100) POETAS

Tenho alma de poeta, disse alguém que visitou este meu canto.
Confuso, logo resolvi consultar, não o santo, antes minha rigorosa consciência e a alma, sua amiga de peito.
Sentido tenho andado por saber o pouco préstimo que me dão, apesar de mim se servirem, para se manifestarem por aqui.
Simples marioneta. Perdoo, não esqueço.
Todavia da conversa mais confuso fiquei, quando ouvi a sugestão por elas ali deixada.
Tenho agora de perguntar à minha visitante o que pensa ela dos poetas.
Enquanto não o souber estarei na ensombrada fronteira da dura critica ou elogio. Mais trilema que dilema.

sábado, 17 de novembro de 2007

(99) COMPAIXÃO



Domingo. Dia de graça. De hábito, quando por aqui estou, caminho cedo até à esplanada do Império, no jardim da Graça, e ali me quedo a saborear o veneno matinal. A bica.
Tenho a vantagem do reduzido bulIcio e de ainda escutar a passarada nos seus gorjeios enquanto se aprontam para mais um dia de voaradas.
Hoje, contra costume, assim não foi. Estava o reboliço instalado.
Caído no passeio estrebuchava um homem corpulento e de meia-idade, já rodeado de mirones e socorristas, não muitos, mas excessivos para aquela hora e dia.
Estava a ser chamada a ambulância.
Como de uso, sentei-me na esplanada, de costas para o efeito.
Não resisti a cuscar as conversas e sentenças que por ali já brotavam.
Mesmo aqui na terra e em dia de trânsito reduzido é sabido que as ambulâncias não voam. Sobrevoavam porém as criticas pelo seu atraso, pois já havia sido chamada, calculem, há cinco minutos.
Entretanto o homem, auxiliado e passada a crise aguda, sentara-se e repousava. Havia batido com o rosto no solo e sangrava ligeiramente.
A ambulância não tardou e foi o homem instado a ir ao hospital o que recusou veementemente.
Os profissionais respeitaram, pedindo apenas a sua recusa por escrito.
Saída dali a ambulância é que foi o delas.
Eram paletes a insistir com o homem para ir ao hospital e oferecendo-se até para o levar de táxi, sem pagar nada. Não faltavam os conselhos.
Todos tinham razão nas suas sentenças e todos esqueciam o desejo e a privacidade do verdadeiro interessado que se mantinha triste e calado.
A meu ver e vestindo-lhe a pele (que não é fácil), deveria era estar vexado e incomodado pelo seu sofrimento e mais aquele desaire, decerto não o primeiro, desejoso de ganhar forças para prosseguir o seu percurso.
Não está em causa a boa vontade dos mirones.
Porém onde cabe aqui a compaixão e o respeito pela vontade do outro ?

domingo, 11 de novembro de 2007

(98) CRUZES


"Aqui temos uma cruz a carregar homens"
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Quando o homem, por puro prazer ou na satisfação de uma qualquer primária necessidade, teve a ideia de cruzar dois troços de madeira, nem pela cabeça lhe passou a dor de cabeça legada aos vindouros.
Dizem as estatísticas e os entendidos que apenas cede a primazia ao circulo.
E quão diferentes eles são.

No circulo a continuidade da linha e na cruz duas linhas que jamais se encontrarão, se a perpendicularidade perfeita, o que é aproveitado para fazer significar na vertical o trilho do divino e na horizontal o mundano, mais fácil, mais aproveitado, trilhos distintos.
Os humanos necessitam e abusam dos símbolos na expressão dos seus sentimentos e daí o aproveitamento material da cruz.
Após o romano toque e a tão falada lavagem de mãos, foi criada a controvérsia e a cruz passou a pau para toda a obra. Deu a volta completa, como se de circulo se tratasse, e, de cruel punição do malfeitor, passou a suplicio de mártires e redenção por amor.
Materialmente simples artefacto, subjectiva e psicologicamente poderá representar tudo o que queiramos, passando à dependência do gosto e criatividade
Um pequeno passeio na net e mergulhamos numa profusão de formas para o mesmo objecto.

E em matemática ? A cruz é constante no sinal de mais, de tal maneira que dois menos e lá estamos a mais.
E se o homem estende lateralmente os braços ? Perfeita simulação da cruz, embora a intenção possa ter sido exercício de ginástica, gesto de desanimo por falta de soluções ou apenas um disfarçado espreguiçar. Podemos ainda sugerir tratar-se de algum presunçoso imitador com ganas de mártir.
O povo ainda diz que cada um carrega a sua cruz
Uns arrastando-a penosamente, em sofrimento aparente e num coro de lamentações.
Outros, já que tem de ser, tentam transportá-la de forma menos penosa.
Neste fatalismo de bons e maus, admitamos que todos carregamos a nossa por imposição ou não tanto.
Não sei como carrega a sua.
Eu tento levá-la ao pescoço.

(97) ORGASMOS

NECESSIDADES
A tal de natureza na sua intenção reprodutiva, prevendo o desinteresse individual, introduziu no acto o toque ao prazer e satisfação física, quebra de tensão, repouso e relaxe muscular.
FACILIDADES
Na espécie humana, por erro, porventura calculado, forneceu além do aparelho sexual, também um aparelho mental sofisticado.
Se foi para experiência, não resultou, ou talvez sim, dependendo das expectativas.
CAPACIDADES
De posse dessa facilitação, ganhou o humano avarias.
Alguns aplicam-se em perverter o acto, na esperança de aumentar o prazer permitido.
Outros diversificam e conseguem prazer de tipo mais variado, aliás mais duradouro e satisfatório.
EXEMPLO:
Esta manhã deambulando, deparei com a frase da foto, de autor que desconheço e a quem aqui presto mérito.
Ali tiveram inicio os preliminares deste meu orgasmo mental.
Excitei-me. Foi um dia em cheio no gozo das ideias.
Tem senãos, confesso.
O orgasmo, a existir em plenitude, necessita de complemento e partilha.
Neste meu caso, sem ser masturbação, é notoriamente solitário e sem muita esperança de contágio a quem, por mero acaso, leia o texto.
A mim satisfez, deu-me prazer desde os preliminares, preencheu espaço no tempo e poderei renovar o efeito cada vez que scrolar (passe a expressão) o meu blog.
Não termino sem afirmar o meu convicto envolvimento com e na natureza.
Persiste porém a dificuldade de me encontrar.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

(96) VAIDADES

fotocantodocarlos
No palácio das virtudes muitas queixas são recebidas sobre a conduta de seres desta espécie,

Constam elas do excesso de petulância, arrogância, altivez, agressividade e convencimento, entre obviamente muitas outras.

Na esperança de aclarar a origem de tais males, fui bem ao âmago.

Despi um sujeito das suas camuflagens e atavios, obrigatórios uns, postiços outros, e, creiam, nem de lupa em punho antevi causas para tal efeito.

Foi conclusivo o exame. Somos isto, pouco mais.

Todo o resto são efémeros poemas, vogando no espaço, a fazer de conta, e alguém cautelosamente vai cobrindo de poeira.

Sendo porém a ciência o que é, não querendo correr riscos e à cautela, não se trate de algum vírus, vou ali à farmácia procurar uma vacina.