domingo, 11 de novembro de 2007

(98) CRUZES


"Aqui temos uma cruz a carregar homens"
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Quando o homem, por puro prazer ou na satisfação de uma qualquer primária necessidade, teve a ideia de cruzar dois troços de madeira, nem pela cabeça lhe passou a dor de cabeça legada aos vindouros.
Dizem as estatísticas e os entendidos que apenas cede a primazia ao circulo.
E quão diferentes eles são.

No circulo a continuidade da linha e na cruz duas linhas que jamais se encontrarão, se a perpendicularidade perfeita, o que é aproveitado para fazer significar na vertical o trilho do divino e na horizontal o mundano, mais fácil, mais aproveitado, trilhos distintos.
Os humanos necessitam e abusam dos símbolos na expressão dos seus sentimentos e daí o aproveitamento material da cruz.
Após o romano toque e a tão falada lavagem de mãos, foi criada a controvérsia e a cruz passou a pau para toda a obra. Deu a volta completa, como se de circulo se tratasse, e, de cruel punição do malfeitor, passou a suplicio de mártires e redenção por amor.
Materialmente simples artefacto, subjectiva e psicologicamente poderá representar tudo o que queiramos, passando à dependência do gosto e criatividade
Um pequeno passeio na net e mergulhamos numa profusão de formas para o mesmo objecto.

E em matemática ? A cruz é constante no sinal de mais, de tal maneira que dois menos e lá estamos a mais.
E se o homem estende lateralmente os braços ? Perfeita simulação da cruz, embora a intenção possa ter sido exercício de ginástica, gesto de desanimo por falta de soluções ou apenas um disfarçado espreguiçar. Podemos ainda sugerir tratar-se de algum presunçoso imitador com ganas de mártir.
O povo ainda diz que cada um carrega a sua cruz
Uns arrastando-a penosamente, em sofrimento aparente e num coro de lamentações.
Outros, já que tem de ser, tentam transportá-la de forma menos penosa.
Neste fatalismo de bons e maus, admitamos que todos carregamos a nossa por imposição ou não tanto.
Não sei como carrega a sua.
Eu tento levá-la ao pescoço.

5 comentários:

alcinda disse...

E que tal ser carregado por ela, como na bonita imagem que juntou?
A minha cruz é uma pequena cruzinha,varia com o tempo e agora é mais uma tal de informática, coisa muito prática que permite a comunicação mas dá algumas dores de cabeça!E vivo desejando o dia em que uma cruz me carrega para outras paragens...saudações "informáticas"

Keops disse...

E já pensaste que uma cruz, de braços abertos pode ser convite a um forte abraço?

SILÊNCIO CULPADO disse...

Deixando as cruzes para o fim, vou começar por te dizer o que é, para mim, uma pessoa maravilhosa.
Uma pessoa maravilhosa é aquela que se limita a ser pessoa, que não procura projecções para além de si própria e que é capaz de partilhar o que tem de forma afectiva e generosa.
É uma pessoa que na dor, ou na alegria, não esquece que é mais uma pessoa entre as demais e que não merece mais da vida pelo facto de se tratar dela e não de outra qualquer.
Uma pessoa maravilhosa erra e reconhece, é humana e não é perfeita. É simplesmente pessoa.
E carrega uma cruz como todas as pessoas. Porque se fôssemos 100% felizes não éramos humanos.

preconceitos disse...

A tua definição é perfeita. O ideal! Endeusas a pessoa maravilhosa. Consta ter havido uma assim. Crucificaram-na.
Se privas com algumas semelhantes, vives na luz e na plenitude. Sorte a tua.
Mantém a chama !
Mais pobre, menos nobre, a minha visão mistura em todas essas virtudes , algumas realidades porventura defeitos próprios dos humanos.
Se o desvio for de pouca monta e havendo cedências, há comunhão, faz sentido e também há luz.
Sim... Nesta digressão pela vida tenho encontrado as “minhas” pessoas maravilhosas. Poucas todavia, certamente por bem.
Fico-te grato por me teres feito reflectir.

empatia@sapo disse...

A minha carrega-me. E gosto dela.
Acredito na redenção. Sei que doi
mas quero continuar em alegria para doer menos. Mesmo nos dias muito maus. Os meus próximos não têm culpa.