quinta-feira, 16 de julho de 2009

(254) Compaixão

Dizem que somos animais de hábitos e assim será por certo, ressalvadas as habituais excepções.
Não me esquerdo e é por hábito que diariamente percorro o mesmo trajecto que me leva ao local onde habitualmente satisfaço o hábito do café da manhã.
Nesse percurso é também hábito cruzar-me com velho cão, como eu perto do limite da caminhada.
Fita-me, de olho triste e, ao meu olá, abana duas ou três vezes o rabo, sem grande entusiasmo, talvez por cortesia e vagarosamente seguimos, cada um à sua.
Hoje, depois do habitual cumprimento, mau grado meu, desatei a matutar no porquê de, em certos momentos de êxtase, acreditarmos na beleza da natureza, mais não fazendo do que dar corpo ao conceito do belo, estabelecido pela sociedade ou grupo humano em que nos inserimos.
E, esse bem estar, na observação daquilo que consideramos perfeito, logo nos leva a esse outro complicado conceito, o da felicidade, fugaz que seja.
Temos porém uma outra capacidade, mais a jusante do optimismo, o discernimento de olhar pelo outro lado, o que poucos fazem, dado o evidente incomodo.
E aí, em honestidade, teremos de admitir a inexistência da compaixão, nesse quadro natural , outro conceito que faz parte da consciência de alguns humanos, talvez poucos.
Quero dizer na minha: aquele meu conhecido, no seu espaço natural, em vida livre, não acorrentado ao estigma de animal domestico, há muito teria cedido a vida a um qualquer predador, mais jovem, mais forte.
Assim, tout court, não tens vitalidade, vais à morte.Sendo os nossos encontros de mera circunstância não aprofundei se isso o faria feliz, ou menos infeliz do que parece.
A duvida em mim subsiste na incapacidade de conciliar beleza e compaixão, ou seja o que está certo e parece errado.
Ou teria sido melhor não sair hoje ? O diabo faça a escolha !

sexta-feira, 15 de maio de 2009

(253) A fuga

obséquio de gifmania
Bom. Quem tenha alguma crença nestes loucos escritos, decerto já se apercebeu do meu apreço, estima, apego, amizade, amor, seja lá o que for pelos animais em geral.
Tento falar com quase todos, evito conflitos com alguns notoriamente hostis e supostamente prejudiciais à espécie humana e sempre me entristeço quando no cumprimento desta servidão alguns tenho de devorar, coisa que todos eles fazem, sem tempero, sem consciência e sem a delicadeza e intermitência que dou ao triste acto, o que reverte em absoluto para seu bem estar psíquico se é que disso necessitam.
Cumprem, satisfazendo-se e satisfazendo a mãe natureza nas suas intenções renovadoras.

Isto até aqui parece conversa da treta, sendo apenas entrada para a minha profunda estranheza quando observei o dálmata em plena fuga.
Bom. (devia ter começado aqui) Porque fugirá ele ?
De mim não é de certeza. Ou será que o ofendi naquela minha vã tentativa de estabelecer relação ? Não creio, já vou ladrando razoavelmente de forma a que me entendam.
Será que este mundo vai acabar e ele ilusóriamente corre procurando outro ? Mas o ano 2000 já lá vai e com ele a ideia de que ficaríamos por ali.
Não vejo no horizonte qualquer cadela impulsionadora da corrida. Nem sequer prato de comida.
Deixa-me isto inquieto e intrigado, sabendo eu que este dito animal de estimação usa os seus recursos sensoriais com parcimónia e segurança sendo mais atinado do que o humano, dito seu dono.

Se calhar é brincadeira e foi uma maneira de me tentar tirar o sono.
Ou até dar-me uma lição pelo meu imperfeito ãoão.
Coisa boa não será e o que for soará.
Vou esquecer isto e tentar melhorar a comunicação.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

(252) Duvida

Acrilico s/tela 25x30 (2007)

Entre o fogo e a água, qual será o meu rumo ?

Sou labareda ou sou fumo ?

sábado, 2 de maio de 2009

(251) Ainda outra Lisboa


Esta outra, de belíssimos pormenores, é ponto obrigatório para milhares de automobilistas que a lobrigam ao longe e de certo por vezes a rodeiam.
No percurso, os semáforos obrigam a umas curtas paragens, compadecidos, na esperança vã de mostrar beleza, decerto insuficiente pois o condutor terá outros problemas: na perícia da condução, no estupor do chefe que o vai chatear por chegar tarde ou na crise de que todos falam, e ainda terá de responder a um insulto ou outro quando faz de papo seco que é como quem diz as regras não cumpre, tendo também de buzinar umas quantas vezes.
Se os monumentos tivessem alma muito haviam de padecer, estão sujeitos a intempéries e ao ataque sistemático da poluição humana e dos dejectos das aves que ali pousam arrulhando e talvez observando a indiferença da espécie que as criou e por ali passa como por vinha vindimada.
E ainda me pergunto, porque será que grande parte dos residentes gastam as suas férias embasbacando-se com monumentos noutros países ?
Bom não vale a pena irritar-me e lembrei-me agora duma letra que andava por aí (aquela do tempo volta para trás). E já agora fosse no tempo, em que havia tempo e havia gente com tempo para olhar um pedaço de dura pedra ver a obra nela inserida e, pacientemente, com todo o tempo do mundo, ir desbastando e lascando o que no bloco estava a mais.
Quanta serenidade e felicidade conteria esse acto
Fica um pequeno grande pormenor do monumento.

terça-feira, 28 de abril de 2009

(250) Mais Lisboa





Outra pequena maravilha daquela cidade e o seu pormenor, onde, para baixo e para cima passam diariamente milhares de seres.
Disse-me uma formiga que a grande diferença entre elas e os homens, naquelas idas e vindas desenfreadas, é que elas sabem o caminho.
Por isso os humanos passam junto a estas belas obras e não dão por elas ?
Ou será pela canseira da dureza da vida na procura do pão ?
Ou além do pão há outra ambição ?

segunda-feira, 27 de abril de 2009

(249) Por inteiro






Aqui repito, desta vez por inteiro, esta magnifica obra, que me parece passar despercebida numa das maiores artérias de Lisboa.
Continuo a realçar a riqueza do pormenor, movendo-me apenas a exaltação do artista que a concebeu.
Estou também certo da beleza transitória do modelo.

sábado, 25 de abril de 2009

(248) O domador




Ainda o vidro da máquina que me serve.
Ao gigante e ao leão, dei um tempo a observá-los.
Fitam as águas conspurcadas e serenas do rio
que abraça e corre a cidade que tanto lhes deve
E nisto, ideia peregrina me surgiu
Voar um pouco e abraçá-los

(247) O vidro





O vidro da minha máquina tem destas coisas.

De vez em vez extasia-me, encontrando beleza no pormenor, onde o artista empenhou a sua força, evitando que me passe despercebido.

Por isso aqui fica o meu humilde agradecimento.

E Lisboa, também às vezes é assim !

sábado, 18 de abril de 2009

(246) A inércia


Acordei em certa prostração e, não sendo esse o meu fado, a estranha sensação de estar acompanhado.
Alguns minutos após, já de olhos descerrados, adaptados ao espaço, em plano de fundo lá estava o embaraço.
Atravancando a porta de uso sempre aberta, um vulto enorme, disforme, a crescer sem rumor em direcção ao leito. Parecia familiar.
Não isento de temor e, sem jeito, olhei de soslaio o digital da cabeceira, sete da manhã. Não havia outra maneira, tinha de levantar.
Então tentei disfarçar e livrar-me do enguiço, mas a verdade é que a coisa me prostrava, sugando-me a vontade, por um qualquer feitiço.
Derramava já seu corpo sobre o meu e, na esperança fosse a morte, mesmo não crendo na sorte, balbuciei: quem és tu ?
Veio a resposta em tom cavo, longínquo e profundo: sou a inércia e venho de outro mundo pra tomar conta de ti.
Logo vi!!!
Lento, a custo e doce foi o meu levantar e no canto secreto logo fui acocorar.
Só restava meditar, deixando a crise passar...
Mais um dia pra esquecer.

terça-feira, 14 de abril de 2009

(245) Simbolismo

Os mantos tem 9 e 7 cm de altura e cerca de 1mm de espessura
Surgiram aquando da minha débil aprendizagem dos rudimentos desta arte

Dois pedaços de barro corrente, laminados; a brandura da mão dando-lhe forma e o imenso calor do forno a dureza.
Dois laços extremados a unir a criatividade e possível beleza.
Depois, depois a sensibilidade do observador usando da sua experiência e imaginação para situar as peças e sua representação no espaço e no tempo

segunda-feira, 13 de abril de 2009

(244) Carências

Obséquio de gifmania

Habituados estamos à mendicidade, não sendo fácil distinguir a verdadeira carência da falsa, ou mesmo quando lidamos com profissionais da miséria, sem qualquer decência
Nos transportes citadinos são diversas as modalidades: lamurias, batidas de bengalas, gritaria, musica de feira, chocalhada de moedas ou, pior, mão estendida a tapar o que vamos lendo, tocando-nos.
E, como se não bastasse, por vezes até ousam utilizar criancinhas, usando ladainhas, na esperança de melhor condoer o eventual pagante.
E, pior, se a acção não tiver êxito, resmungam, blasfemam.
Assim não.
Creio, o verdadeiro necessitado respeita-se...tem pudor
Esse carece de ajuda... há que estender-lhe a mão.
Como distingui-lo entre quem faz uso indevido de tão deprimente situação ?

segunda-feira, 6 de abril de 2009

(243) Privacidade

Trabalho misto (distorção de pintura acrílica sobre tela)
Buraco de fechadura.
Invasão de privacidade no trigésimo século.
Ou já hoje ?

sexta-feira, 3 de abril de 2009

(242) Realidades

Os artefactos são meus
A garrafa é pintura
(pastel de óleo sobre papel).
O copo é de vidro-.
O liquido pura imitação dum vinho.

Urgente conhecer a realidade.
Por mim, se não me dão uma achega, estou quase esclarecido e convencido que esta tal de realidade é uma criação pessoal, deveras subjectiva.
E dito doutra forma, a mim me parece que a realidade chega a ser aquilo que nós quisermos, bastando capacidade mental para o assumir.
Como exemplo, e não de minha lavra, temos o teste do copo de todos bem conhecido.
Entende o pessimista, a sua inteira verdade, estar o copo meio vazio, enquanto o optimista o entende meio cheio.
Não ficando por aqui, e consultando o realista, dirá ele que o copo não tem o tamanho adequado.
Poderíamos continuar a consulta o que seria passível de outras estranhas respostas, verdades de cada um.
Assim, se questionasse alguém o que aconteceria se tombasse o copo, certo estou, todos, ou quase, iriam pelo derrame do liquido.
Poucos chegariam à minha realidade.
Trata-se dum copo especial e o liquido não derrama por estar em circuito fechado.
E por aí fora, cada um elaborando as suas verdades com base no conhecimento empírico ou cientifico, sua experiência de vida, verdades convictas mas apenas suas, no máximo semelhantes às dos outros por mera aproximação.
Tenho assim o maior respeito pelas verdades dos outros, por mais hilariantes me pareçam.
Terei de aceitar quando alguém diz ter conversado com homenzinhos verdes ou doutras cores, não podendo de forma alguma aplicar rotulagem de loucura, pois, quem sabe ?

(241) Outros tempos




Water Effect by Crazyprofile.com

Aquela coisa, do palhinhas, trouxe o passado à tona.
Xiii ... e como o cabelo era farto !!!
Parece que estou melhor. Já venho.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

(240) Fora de perigo

Não tivesse o auxilio aqui dos meus sósias e estaria completamente zonzo.
O serviço foi rápido e eficiente e deixaram três palhinhas com garantia de dois anos que considero cobre bem a minha própria validade.
Amanhã ofereço uns cafés.
Isto se aqueles senhores de branco me deixarem sair
porque a mansa loucura ainda perdura
Bem hajam rapazes

(239) Lamentos


Agora tenho o palhinhas a dar-me volta à cabeça !!!
E não é mentira !!!
Estas obras !?!?
Alvissaras a quem conserte.

segunda-feira, 9 de março de 2009

(237) Correcção






Continuo a não gostar muito de mim.
Todavia afirmaram que "quadrado" não sou.
Assim, esforcei-me nesta correcção.
De facto, redondo, sem capachinho e de óculos, suponho estar bastante mais aceitável.
Daí o sorriso amplamente rasgado.
Pelo menos 180 graus.
Este fica.

(236) Reflexões animais





Se tiver um centímetro é uma maravilha, o homem esmera-se, compra um aquário e expõe na sala.
Se tiver dez centímetros é lindo, o homem coloca-o num laguinho no seu jardim.
Se tiver um metro, é um estranho e grande peixe, o homem pesca e come
Se tiver dez metros, é seguramente um monstro, o homem tenta destrui-lo mesmo sem qualquer proveito.
E ainda se diz que tamanho não é argumento !!!
Não é fácil entender a humanidade, seus conceitos e preconceitos.

sábado, 7 de março de 2009

(235) Auto retrato


Quando faço auto retrato em fundo azul,
colho alguns ensinamentos:
Decerto não gosto de mim.
Narcisista não sou.
O capachinho não foi ideia minha,
pois gosto do cabelo branco.
Invertendo a foto pior ficava
Não sou quadrado,
Antes pelo contrário
Porventura um pouco louco e e
e talvez olhando onde não se vê tudo isto se altere.
Apre, estou chateado, não consegui rimar...
donde também concluo: de poeta tenho pouco.
Prometo na próxima tentar... ena rimou

quarta-feira, 4 de março de 2009

(234) Não sei


NÃO SEI

Duas palavras dum significado quiçá nefasto.
Não são ouvidas com frequência pois acarretam humildade.
E, como a humildade parece doença para muita gente, essa prefere especular e normalmente errar.
Pecado maior.

domingo, 1 de março de 2009

(233) Carnen levare





A curiosidade incita-nos a conhecer as origens daquilo cuja compreensão imediata não é fácil. Sabemos hoje mergulhar neste manancial de informação oferecido pela NET e também sabemos haver ali cereal com muito joio.
Li coisas interessantes e acabei por escolher duas pequenas informações, uma delas, com humildade, referindo lacunas, por carecer de fontes fidedignas . Assim linkei Carnaval e wikipedia
Seja sua origem esta ou outra (li algumas hipóteses bem curiosas), não deixa de ser um estranho período de festas.
A minha opinião, valendo o que vale, leva-me a concluir a falta de coerência entre a raiz e a continuidade da pratica do acto, senão diferente no modo, pelo menos na intenção, e é assim que olho o Carnaval d'hoje:
Despojados da mascara todo o ano usada, divertem-se os homens numa história de faz de conta, afinal em muitos casos a verdadeira expressão daquilo que gostariam de ser, ou ter sido, mas que o traçado da vida, ou a sua falta de ousadia não lhes permitiu.
Alicerçam-se no "é Carnaval ninguém leva a mal" e assim dão vazão aos sonhos e fantasias que mal grado a vontade, pululam em cada mente, esquecendo na essência, e pouco interessando à maioria, a razão base da festividade.
Quase como: vou aproveitar estes dias para deixar as grilhetas da condição humana e ser finalmente o animal em natureza.
Claro, o pecado está em que essa prática vem eivada dos defeitos adquiridos enquanto humano, alguns dos quais já não consegue refrear.
Nestes poucos dias extravasam e logo voltam a colocar a mascara para continuar a sua rotineira vida. com esperança ou sem ela.
E depois ?
Bem e depois é como tudo na vida, há os actores e os espectadores.
Digamos que com Carnaval ou não, passamos a vida em cena.
Desta vez a minha cena foi de máquina na mão, clique aqui, clique ali.
Dediquei o trabalho essencialmente às crianças e aqui eram aos milhares enquadradas no tema deste ano, as profissões.
Sem a qualidade que gostaria, ficam algumas fotos da criançada, em alegria e cansaço, ainda encarando o acto, sem filosofias, pela brincadeira aparente, a cumprir por imposição adulta, agradando ou não. Lá virá seu tempo !
As fotos estão em álbum à distancia de um CLIQUE

sábado, 28 de fevereiro de 2009

(232) O raminho




Um monumento prenhe de significado


Homenagem aos soldados da paz


Um dia olhei assim.


Não me cansa.


Ali ... Na Várzea

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

(231) Caminho dos sábios


De citação colhida num belo blog que tive a sorte de visitar
http://multiolhares-poetadaspiramides.blogspot.com/
apreendi três regras para avançar no caminho dos sábios, essa estrada que certamente todos gostaríamos de trilhar.
Não ponho em duvida a pertinência da afirmação, antes reflicto na dificuldade de concretização, evidencia óbvia, pois ao contrário seriamos todos sábios.
São as regras: Domina tuas palavras; Domina teus pensamentos; Não faças dano a ninguém.
As duas primeiras são de concretização pessoal, diferindo apenas no grau da dificuldade da sua execução.
Posso perfeitamente dominar as palavras.
Todavia, o pensamento é outra história, exigindo porventura auto domínio mental, não fácil de atingir.
Não fazer dano a ninguém, não depende apenas da vontade própria e mais do sentimento do outro.
Quantas vezes nossos pequenos actos, praticados na crença da maior inocência, são entendidos como verdadeiras ofensas ?
Prevejo a quase impossibilidade de coexistência e entendimento, se, a cada palavra, a cada gesto, tivermos de medir com rigor os sentimentos dos outros, na sua maioria para nós desconhecidos e até contemporâneos de outras culturas, outros mundos, outros credos.
Para isto conter verdadeira eficácia, por tanta ponderação, cessava a comunicação.
O nosso esforço é limitado pelo conhecimento do outro, suas diferenças e o respeito merecido por ser distinto de nós.
Esse caminho dos sábios está eriçado de espinhos e armadilhas.
Só alguns o atravessam, os eleitos, e por isso conhecemos tão poucos.
Bem hajas, MULTIOLHARES, por permitires a reflexão.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

(230) Geometria






Acreditou-se que o mundo era plano...


Provou-se depois ser mais ou menos esférico
!


Na foto ao lado parece piramidal.


Ah quem me dera voar

para poder acreditar

(229) Grades


Do pouco êxito das minhas tentativas de voar, alguma coisa aprendi.
As nuvens são como os animais, não gostam de grades, ficam iradas.
Daí o cuidado.
Não aprisionem nuvens, evitam as tempestades

(228) Indecisão

Na incerteza do amanhã
Outro daqueles momentos em que o sol não sabe se fica se vai.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

(227) Ciclismo










Estamos no Carnaval, esses festejos que mexem com as gentes cá do sitio e colocam a cidade entre as melhores nesse evento.

Andei por aí com o meu vidro e tenciono editar um pequeno texto, a meu modo, sobre o Carnaval, com algumas dezenas de fotos do corso das escolas e dos cabeçudos.
No entanto, passei ali por esta estátua que, como algumas outras, não me cansa rever.
É só para dizer que a zona também tem os seus heróis e gostam do ciclismo.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

(226) Ocasos


Embora o planeta donde vim não fosse tão pequeno quanto o do Principezinho, porventura poderia estar com o por do sol horas a fio, bastando para tal caminhar lentamente em sua direcção.
Por aqui o usufruto desse gozo continuado é apenas permitido numa toma diária, ainda dependente doutros factores a considerar: como o amuo das nuvens ou a maioria das humanas tarefas, sem cor nem brilho, parte integrante da aquisição do supérfluo, absorvendo tempo de vida.
Uso especular, na tentativa de obter proveito do aparente prejuízo, e, para isso, sirvo-me de algumas das nossas fraquezas e fragilidades.
Sem duvida, o prazer retirado a um bom espectáculo está na razão inversa das vezes presenciadas. Mas há um acréscimo desse gozo no sonho intermédio, a ante visão do que vamos ver, e aí usamos essa coisa, misto de deus e diabo, a memória.
Já me aconteceu, na juventude, ter um sonho recorrente de visitar a Torre Eiffel, deliciando-me. Concretizada a visita acho que preferia ter continuado a sonhar.
O por do sol, porém, tem a vantagem das suas mil facetas.
Nunca se assemelha. Não dispenso....

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

(225) A gata


Recados e Imagens - Glitters - Orkut
Em sexta feira 13 não podia ser gato preto-
A gata comeu o pinto
Na natureza, beleza aparente e piedade não andam de braço dado.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

(224) Conversas

Gosto de desafios e porventura este não é de fácil concretização.
E http://sercristal.blogspot.com/ passou-me o osso: escrever seis questões sobre nós próprios e endossar a tarefa a outros seis bloguistas.
Faço a tentativa e, se gorada, melhor êxito auguro àqueles a quem endosso o problema e no final indico.
Aí vai:

1) Aprecio o convívio com humanos de interesses comuns, mediana inteligência, aceitem diferenças, argumentem em seu favor com coerência, possuam apurado sentido de humor.
Resultado: sou frequentemente mordido e no meu coração moram poucos.

2) Aprecio o convívio com os animais em geral, exceptuados os que o preconceito e a sobrevivência me fazem evitar. Em regra falo com todos, fico feliz quando me entendem e por vezes correspondem aos meus sinais de amizade.
Resultado: também por vezes sou mordido, mas os humanos mordem mais.

3) Aprecio a natureza em geral, ando por aí e falo com a vida, com as árvores, com as plantas, com o mar, confundindo-me no sussurro das ondas.
Resultado: quase ausência de mordeduras, talvez um espinho ou uma concha me piquem para me lembrar que estou vivo.

4) Aprecio minhas pacificas conversas com a morte. Não é tão negra como a pintam e ainda não me disse porque me vai deixando andar por cá. Talvez também seja uma solitária. Talvez se compadeça da minha mansa loucura. Talvez...
Resultado: estou certo há-de morder um dia e, como me tem poupado (ou castigado), vou esperando paciente.

5) Aprecio conversar com o amor, para tirar algumas duvidas. Após muita conversa fico quase sempre na mesma convicção: no fundo amo o amor.
Resultado: é coisa que não para de mordiscar e por vezes faz doer.

6) E finalmente, quando estou só, e é frequente, e me dá ganas de conversar, vou até um dos diversos espelhos cá de casa. Não espelham o meu exacto perfil mas são interlocutores atentos, pacientes e quase fieis.
Aí desabafo
Resultado: Acabo excessivamente mordido.

Isto foi longo demais, desculpem lá qualquer coisinha.

Agora os meus eleitos:

sábado, 7 de fevereiro de 2009

(223) Confronto










Não sou grande trunfo a escrever. Corto-me aos textos longos, evito exageros de vocabulário e opto por frases curtas.
Reconheço todavia que na postagem 220 pequei por defeito.
Naquelas duas frases sintetizei o meu pensamento sobre o conceito de beleza aparente.
Sempre ouvi dizer que pouco adianta malhar em ferro frio e, como a foto gerou alguma controvérsia, venho malhar enquanto está quente, ou no menos morno.
A partir dum rosto aceite como belo pela generalidade da sociedade humana actual, quebro-lhe as linhas de harmonia, sem retirar os adornos.
Na quase maioria dos comentários recebidos, ou escutados, surge unanimidade: horrível é a palavra.
Não tomo porém o facto como universal, mas tão somente condicionado pela proximidade de hábitos e formas de vida.
O horrível, neste caso, é tão falacioso e dependente como o belo.
Aceitamos o padrão de beleza ou fealdade que nos é inculcado pelo grupo social na nossa longa aprendizagem.
Gosto de criar cenários e dá-me certo gozo imaginar, numa qualquer galáxia, por aí, se todos tivessem o aspecto da dama distorcida, ou fossem sujeitinhos verdes com cabeças triangulares, qual seria o comentário quando observassem a nossa beldade da direita.
Até apostava: horrível !
Por isso não sou tão redutor, aceitava perfeitamente quem me dissesse encontrar beleza na distorcida senhora, sinal evidente da crença na diferença.
E, por estranho que pareça, a aprendizagem leva-nos também a padronizar a outra beleza, a perene, a do espírito, aquela que só o coração vê.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

(222) Sensibilidades


"...Sou assim-assim...sou importante para alguem...sou humilde,sou vaidosa... ...sou fragil, sou coragem... sou doce, sou paixão...sou lágrima cansada, sou noite enluarada... Sou Balança. Vivo cada dia intensamente, como se fosse o ultimo"


Nem peço desculpa à Maysha por publicar o descritivo do seu perfil e ainda linkei o blog. E isto porque às coisas belas não bastam noites enluaradas e ousam também sair à luz dos outros.
Deixo o baraço. Se ela ordenar enforco-me, que é como quem diz: retiro daqui a transcrição. Tenho atenuantes: também estou na balança.
Depois quero agradecer o seu carinho pelo selo prémio que lhe foi entregue pela Ana, me transmite, e acima também aponho.
É o primeiro. O meu blog não merece distinções, é meio louco, meio raiva... e vai do grito ao gemido, sem esquecer a ironia, não a genuína, antes aquela afim do humor. Toco em coisas que ignorar convém.
Esperançado ando que tudo esqueça, quando a loucura for por inteiro.
O prémio cumpre a missão e fui logo, em pequeno voo, ao espelho mágico, onde mirei sem distorções a criatividade e sensibilidade de braço dado. Parabéns também à Ana.

Compartilho a distinção com os amigos:

http://comoze.blogspot.com/

http://caminhoseternos.blogspot.com/

http://bart1914.blogspot.com/

http://andradarte.blogspot.com

http://alcindaleal.blogspot.com/

E agora, Maysha, fico a aguardar sentença.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

(221) Futuro



Ouvi alguém afirmar que o homem, tido por animal racional, é o mais irracional dos irracionais.
Basta lembrar a ansia de conhecer o incerto futuro, esquecendo de viver a realidade do efémero presente, usufruto do hoje.
Em conluio neste absurdo não deve existir outro.
São frequentes as consultas a videntes e circulam no ciber espaço milhentos testes sobre a nossa existência, comportamento, sinas e até estado físico e psíquico.
De fácil resposta, numa dúzia de questões de sim ou não, esquecendo bastas vezes a mediana, onde usa morar a virtude, e zás... lá nos situam acima ou abaixo numa bitola considerada, por nem sem quem, a ideal. Isto, ou dizendo apenas aquilo que gostaríamos de ouvir, num assomo de suprema vaidade.
A experiência nunca foi má conselheira, pelo que entrei numa dessas, dando respostas em consciência, pois não gosto de brincar em serviço.
Fiquei todavia sobressaltado na falta do virtuoso talvez, nem sim nem não, em alguns casos indispensável à assertiva resposta.
Mas pronto, lá conclui a coisa e tratando-se de saber qual a minha expectancia de vida, lá fui, sem ansia, à procura da resposta.
Com surpresa constatei ter morrido há já três anos.
Porque não me agrada colher flores, também não as levo a finados, pelo que dei graças não estar em falta comigo próprio.
Todavia fica uma questão por resolver: estarei a roubar anos à morte ?

domingo, 1 de fevereiro de 2009

(220) Pensamento

Na beleza não existe verdade absoluta.
A beleza não passa de mero pensamento.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

(219) Comparações


Hoje tentei imaginar a natureza humanizada ou, dizendo doutro modo, aplicar as regras da sociedade humana à vida natural dos outros seres, a esse sistema de equilíbrio cujo principio, embora semelhando anarquias, violência e destruição, é a tentativa do renovo na intenção de melhor adaptação ao meio físico e ambiental.
Seja ainda a destruição do outro por mera imposição da sobrevivência (defesa e alimentação), para tal equipando-se os seres de armas naturais e biológicas, para actuação em plano instintivo, em que tamanho não é argumento.
Qualquer animal, neste contexto, esforça a toma do essencial na rejeição do supérfluo.
Bem, aqui chegado, e conhecendo a organização social humana e suas actuações, entro na casa do desespero para completar a ideia.
Nem mesmo com imaginação consigo adaptar aos outros animais a carga de supérfluos de uso humano.
Não estou a ver o leão preocupado se tem rede no móvel para convidar a leoazinha a dar um salto à discoteca para abanar a juba ou a formiga, na sua labuta, preocupada com o lazer da cigarra, história inventada pelo homem para dar lições que não aprende.
As comparações não resultam, nem delas tiro o gozo pensado, pois, a troco de benefícios espirituais, integraram-me numa sociedade plena de "merdices", como diria amigo meu, ervas malignas da seara da vida.
Olho aqui para a chávena de café e, entristecido, desisto de convidar o leão a fazer-me companhia. Decerto só criticas me faria.

domingo, 25 de janeiro de 2009

(218) Gotas


Ciberespaço, infinito, sem dimensão.
Ali navega o bem e também o mal, recebendo cada viajante a quota, consoante o seu entendimento desses conceitos.
Porventura a busca satisfaz a procura e cada um é responsável pela sua rota e armadura.
Não o faço por sistema. Todavia de vez em vez mergulho num ou noutro blog, fugindo aos demasiado comentados ou nitidamente virados a reivindicações colectivas.
E justifico.
Nos muito comentados já quase tudo se disse e a criatividade cessou e, nos outros, já fiz um longo caminho de pedra solta.
Sou contudo cativado por formas de expressar sentimentos, geradoras de reflexão, e até me permito delas fazer adopção.
Foi o caso DISTRIBUIR AFECTO GOTA A GOTA.
Na verdade pese embora a maravilha do toque do abraço, ele asfixia por demasiado aperto.
São assim mais generosos os abracinhos.
De gota a gota e pacientemente obtemos um oceano onde, decerto, perigo não corremos
Bem hajas pelo ensejo deste texto

sábado, 17 de janeiro de 2009

(217) Umbigos

Umbigo em cicatrização - obséquio de Wikipedia



Usa dizer-se dos petulantes e egocentristas estarem convencidos que o mundo gravita à volta do seu umbigo.
Trata-se duma peça anatómica, em minha opinião algo inestética.
Uma prega na pele, proveniente da cicatrização dum nó de tripa, por vezes de execução descuidada, outras não tanto.
Como disse, esteticamente nada me conta e de erótico, aspas, aspas, existindo outras zonas da pele bem mais erógenas.
Por tal me boqueabro quando vejo a peça em mostra publica, obediente às modas em curso, quer esteja quente ou faça frio e, com frequência, adornada de piercings ou outras peças de adereço.
Seria a mostra o somenos, não fora o convencimento metafórico daquela gravitação.
Esta coisa é mais gravosa.
Tentei explicação lógica e não encontro, pese embora aquele canal, ora encerrado, ter sido em tempos o único garante da boa vida gestativa, o argumento não valida a adoração fanática de tantos como se de centro do mundo se tratasse.
Por mim, se me restar algum espaço, pouco se me importa em qual umbigo gravita o mundo.
Que tenham bom proveito !

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

(216) Respeito pelo outro

Reconheçam sempre que a vossa vida é um sonho




Enviaram-me um mail e uma das fotos acima, acrescido do texto que na integra transcrevo:

"Atraídos pelo cheiro adocicado e pelo sabor de fruta, os pássaros comem restos de pastilhas elásticas deixadas, irresponsavelmente, em qualquer lugar. Ao sentirem a pastilha colada no seu bico, tentam, desesperados, retirá-lo com as patas... E aí, acontece o pior: morrem sufocados.
Por favor, passe esta mensagem para que, principalmente as crianças, sejam consciencializadas."
Por mim teria alterado "principalmente os adultos....", pois deles deve brotar o exemplo e a educação das crianças no respeito pelo outro.
Nesse dia tinha visto em tv uma daquelas séries de morte em série, passe a redundância.
Da conversa entre os protagonistas concluía-se, sem novidade acrescida, ser o homem o único animal conhecido que mata e tortura, até os da própria espécie, por puro lazer e prazer.
O aviso vem acrescentar ao lazer e prazer, também o desleixo e o desprezo pelo outro, seja ele quem seja, coisa aliás bem patente para quem faça o caminho e observe, não necessitando até de muita atenção.
Estas coisas mexem comigo e aqui publico a nota na crença de que a pequena semente tem capacidade de gerar fruto.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

(215) Lágrimas de crododilo







Quando um humano hipocritamente chora, usa dizer-se que são lágrimas de crocodilo.
Por obséquio da Wikipédia aqui fica a foto do simpático animal e a explicação (mitológica e cientifica) para as lágrimas.
Cada vez gosto mais dos animais.

Desde a antiguidade clássica, difundiu-se o mito de que os crocodilos emitem um som semelhante a um soluço quando atraem as pessoas até sua caverna e, depois de devoradas, deixam cair amargas lágrimas, talvez de compaixão pelo triste destino de suas vítimas. Esta é a origem da expressão "derramar lágrimas de crocodilo", usada para referir-se a quem chora para fingir um sentimento que não é verdadeiro.
A expressão popular derramar lágrimas de crocodilo, usada para dizer que alguém chora sem razão ou por fingimento, surgiu de um fato real que acontece com os crocodilos. Quando o animal come uma presa, ele a engole sem mastigar. Para isso, abre a mandíbula de tal forma que ela comprime a glândula lacrimal, localizada na base da órbita, o que faz com que os répteis lacrimejem.

domingo, 11 de janeiro de 2009

(214) Afectos

À Ida e ao Fernando com ternura





Duma forma genérica, gosto de todos os animais e quando elimino alguns tenho de ter em minha consciência razão para tal, em pura obediência às leis naturais.
E depois tenho amigos que lhes dão o seu afecto e com eles convivem.
Bom exemplo é o Putchi, já entradote, pese o jovial porte, com quem por vezes tento trocar opiniões e me dispensa algum carinho.
Com desgosto para eles a piriquita, por limite de idade, foi chamada recentemente às grandes pradarias e para que o companheiro não definhasse, do que dava mostras, logo substituíram a velha senhora por uma colorida jovem e com ela um pequeno espelho colocado na gaiola.
O velho macho aceitou deliciado a jovem presença e ambos manifestam conduta, a nível humano tida por afecto, ternura, quiçá amor na evidente prova de desprezo ao tempo e respectivo bilhete de identidade.
O mais curioso porém é o encantamento do espelho, pois o colorido casal, passa o seu ternurento convívio junto ao mesmo e dali não arreda asa.
Por especulação humana queremos justificar o facto, insólito ou talvez natural, emprestando-lhe emoções do nosso foro.
Serão aquelas aves sociais e o espelho forma gratuita de, duplicando a imagem, criar a ilusão do bando e de convívio, compondo, à falta da floresta, uma parcela do cenário primitivo. Ou conhecerão a história do espelho mágico e estarão a questiona-lo se no mundo há outros que se amem tanto ?
Com esta conversa de treta e a compará-los aos humanos, aqui afirmo, para que conste, não querer de forma alguma ofender os piriquitos.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

(213) Cores da verdade


Em discurso corrente é quase inevitável surgir: "na verdade... bla bla bla".
Poderá ser verdade, a do orador, eventualmente imbuída de algum mérito e senso e porventura até ecoando noutras verdades por aí vogando à toa.
Isto de verdades, sei da minha e, para ser conscientemente justo, terei de admitir, desde que não eivadas de malícia ou convicta mentira, a tua, a dele e a de todos os outros, porventura diferentes.
Existe um interessante teste bem demonstrando o intimo da volúvel verdade.
Num grupo de pessoas foram escolhidas cinco e isoladas. A missão da primeira a cumprir em cinco minutos seria decorar uma pequena historieta. Em seguida contá-la de memória à segunda pessoa, sem a presença das três restantes, esta segunda teria de contar à terceira nas mesmas condições e assim sucessivamente.
A quinta teria de relatar à assembleia, conhecedora do original, a história acabada de ouvir
Divertido mas sério e gravoso, levando-nos a bem ponderar qualquer testemunho por ouvir dizer ou mesmo de mera observação.
Desta forma quase cientifica se despe a senhora verdade, mostrando a multicidade de cores a brotar de raiz comum, as primárias, todavia de aparência bem distinta, umas límpidas, outras nem tanto.
A verdade individual, mesmo revestida do vinculativo "juro" e prenhe de boa fé, não deixa de ser um ponto de vista, dependendo excessivamente da opção de vida e percurso do observador e, por tal, nos contraditórios se pede humildade e ponderação.