sábado, 18 de novembro de 2006

(62) A IMAGEM



Acordei esta manhã na disposição habitual.
Sabem quando se acorda não enxergando, nem a roupa nem justificação para mais um dia de luta ? Sabem ! Evitam-me o fastio de explicar, pois assim foi que me arrastei ao quarto de banho.
Ali mora o mais confidente dos meus espelhos, aquele com quem mantenho maior intimidade e no fundo me olha sem os atavios e adereços que adoçam a figura e o grupo social impõe.
Uso com ele de certa sacanice, confesso, pois, para obter respostas positivas, lhe troco as voltas. É assim que diariamente e após mimo cá, mimo lá, lhe coloco a pergunta dos contos de embalar.
Espelho meu, espelho meu, diz-me que não há tipo tão feio como eu.
Tudo começou a correr mal quando ele me quis gozar no intuito evidente de azedar o dia e respondeu mordaz:
“mas não, mas não... há por aí tipos bem piores do que tu “
Tanto desatino irritou-me e atirei-lhe a saboneteira, estilhaçando-o, e ele, mudo, devolveu-me uma imagem horrível.
Boa. Era mesmo o mais feio.
Já tranquilo sentei-me na sanita, e, cumprido rapidamente o objectivo, saltei para o duche e até cantarolei.
Já tinha que fazer. Ia comprar um espelho.

1 comentário:

preconceitos disse...

De cadencia a 3 de Dezembro de 2006 às 00:07
Same shit different day. Aqui seria : o mesmo eu diferente espelho

De yuki a 6 de Dezembro de 2006 às 21:36
Quando olhares para o novo espelho reflecte: a imagem que vês é aquela que tu quiseres ver.
De solcar a 7 de Dezembro de 2006 às 10:04
É Depende do dia e da hora e das diatribes do tipo que vive em mim.