terça-feira, 7 de março de 2006

(10) DO CORAÇÃO




Ao Luís
No cair da folha.
Ajudou-me a sentir a solidão dos outros e assim situar a minha.



Em menino o coração era para mim algo que no meu peito fazia pum-pum, com mais ou menos violência, segundo as minhas correrias.
Já então, como agora, era também coisa que tinha a ver com mimos e afectos. Adorava o xi-coração. Era tocado.
Depois, e no percurso, aprendi que, a final e na sua essência, é um músculo valente, ou um valente músculo, capaz e responsável pela distribuição metódica e regular do fluido vital.
Mas o sonho de menino não foi de todo desfeito pelas agruras do caminho e do conhecimento.
A subtil consciência (talvez num arremedo de gratidão) empresta e atribue ao coração toda uma panóplia de emoções, fazendo dele fiel depositário da ternura e do amor, do sacrifício e da entrega.
É normal ouvir dizer que um ser tem bom coração, quando em prática de boas acções, sendo as más relegadas para o fígado (então o sujeito terá maus fígados). Também verdade parece que esta quimera não será igualmente vivida por todos.
São privilegiados os seres que no fosso do sofrimento mantém o espírito livre, tentando substituir por ternura, compreensão e amor a nefasta raiva, desespero e ódio.
Esses vão encontrar no coração o sentido do sem sentido da vida.
Perguntarão vocês o que tem isto a ver com o LUÍS.
Creiam que muito!
O Luís é um dos seres, que de há muitos anos para cá, semanalmente, me foi tocando e por tal tem lugar cativo quando no meu coração se canta o hino dos afectos.

1 comentário:

preconceitos disse...

De mcristinags@netcabo.pt a 7 de Abril de 2006 às 19:38
Olá, meu querido,
Gostei muito deste comentário a respeito do nosso amigo Luis! E mesmo se não estivesse assinado eu reconhecê-lo-ia imediatamente como teu! É este teu talento de juntares uma escrita refinada, com um pensamento profundo, mais uma pontinha de ironia e ... finalmente... a tua imensa ternura!
Um beijo