quinta-feira, 11 de setembro de 2008

(180) A busca


Lido comigo há tempo demais e continuo sem me conhecer quanto queria, mesmo suturando lacunas no traço do perfil.
Entre os humanos não devo ser peça única sofrendo desta anomalia e, neste caso, o mal dos outros anima-me, não por regozijo, antes pela solidariedade.
A deprimência e o desanimo tomam porém posse, quando os outros, privando de algum pouco do meu tempo, logo afirmam que me conhecem bem, sou transparente, previsível.
Quedo perplexo pela perspicácia desses génios capazes de penetrar a minha mente em corredores para mim inatingiveis.
A inveja, de mim tão arredia, faz da deixa a sua insidiosa entrada, espicaça-me em silencio, por sorte quebrado pelo murmúrio do leal discernimento.
Em duas penadas este deixa liquida a questão.
É a riqueza da diversidade. Entre os humanos pululam os que nada sabem de tudo o que sabem e ainda os de má intenção. Se eles não existissem, como distinguiriamos os outros ?
Constatada a ausência de minha falta, volta a serenidade ao meu reino só inquietada pela continuidade da procura, na tentativa, espero não gorada, de me encontrar antes que me perca de todo.

1 comentário:

Lili_B disse...

Olá Carlos,
cheguei até aqui ...por hoje. Escreve muito por isso terei de vir cá mais vezes porque gosto de apreciar bem o que leio.
Não o conheço mas lendo este texto identifico-me com algumas coisas que sente.
Quanto a mim tem muita pertinência e conteúdo real no mundo virtual e mesmo outro...

Abracinhos e gotas de carinho porque o carinho quando se oferece é sem hipocrisias.