
Ouvi alguém afirmar que o homem, tido por animal racional, é o mais irracional dos irracionais. Basta lembrar a ansia de conhecer o incerto futuro, esquecendo de viver a realidade do efémero presente, usufruto do hoje.
Em conluio neste absurdo não deve existir outro.
São frequentes as consultas a videntes e circulam no ciber espaço milhentos testes sobre a nossa existência, comportamento, sinas e até estado físico e psíquico.
De fácil resposta, numa dúzia de questões de sim ou não, esquecendo bastas vezes a mediana, onde usa morar a virtude, e zás... lá nos situam acima ou abaixo numa bitola considerada, por nem sem quem, a ideal. Isto, ou dizendo apenas aquilo que gostaríamos de ouvir, num assomo de suprema vaidade.
A experiência nunca foi má conselheira, pelo que entrei numa dessas, dando respostas em consciência, pois não gosto de brincar em serviço.
Fiquei todavia sobressaltado na falta do virtuoso talvez, nem sim nem não, em alguns casos indispensável à assertiva resposta.
Mas pronto, lá conclui a coisa e tratando-se de saber qual a minha expectancia de vida, lá fui, sem ansia, à procura da resposta.
Com surpresa constatei ter morrido há já três anos.
Porque não me agrada colher flores, também não as levo a finados, pelo que dei graças não estar em falta comigo próprio.
Todavia fica uma questão por resolver: estarei a roubar anos à morte ?