sexta-feira, 22 de junho de 2007

(81) OS RITUAIS

Sendo os transportes públicos duplamente poluentes, reconheço-lhes vantagens e não os dispenso.
Quando chego a esta cidade, a minha natal, o que venho fazendo cada vez a mais espaços, poupo-me à condução, que usualmente faço a gosto, evitando-me ficar sujeito à impossibilidade de terceiros a reconhecer não andarem sós na terra e também à possibilidade de ouvir alguns eventuais e gratuitos insultos.
Acresço-lhe ainda a vantagem notória de, por momentos e naquele bulício citadino, criar um casulo de isolamento ou posto de observação de condutas insólitas de que felizmente o humano é pródigo.
Conduta por vezes curiosa, por bizarra.
Foi assim que numa destas pequenas viagens, alguém se deslocava abengalado e coxeando, atravessando aquele mar de humanidade.
Um outro sujeito que evidentemente o conhecia, alargou um daqueles sorrisos de publicidade às cáries e ao tabaco e exclamou:
— Eh pá, há que tempos não te via, como passaste ?
Após aquela sinistra aventura de difícil progressão, a resposta era óbvia:
— Com dificuldade !
E logo, sem atenção à resposta, brotou a pergunta seguinte:
— Então e a saúde ?
Nova resposta, aliás evidente pela aparência destroçada:
— Mal, muito mal.

Moral da história:

As respostas não correspondiam ao manual dos rituais.
O respondente deveria ter afivelado também o melhor dos seus esgares e dado a resposta adequada, falsa que fosse, pois ninguém liga a ninguém.

4 comentários:

**** disse...

Cada vez tenho mais essa certeza.
Nem os amantes dão atenção ao outrém, nem os pais aos próprios filhos...

Já dizia Sócrates (filósofo)... "que será do mundo amanhã?"

preconceitos disse...

Continuo a sentir a tua dor.
Ainda bem que te deixa espaço à graciosa ironia.

**** disse...

Não é a vida isso mesmo, uma grande ironia?
Talvez não, eu é que se calhar ainda sofro do sindrome de Cinderela: em que a vida é da cor das rosas, em aromas de alfazema, o amor é o bálsamo do nosso espírito...

... pena os meus joanetos darem cabo do sapatinho de cristal, agora percebo deve ser por isso (:

ana ilda disse...

" A minha vida é aquilo que dou com amor. Tb sofro com a desgraça alheia mas não deixo de ser feliz por isso.

..... A ARTE DA VIDA É FAZER DA VIDA UMA OBRA DE ARTE .....

este pensamento não é meu mas procuro segui-lo.

um sorriso lindo para si
ana