quinta-feira, 21 de junho de 2007

(80) A CRENÇA


Com frequência me colocam a questão: És crente ?
Em regra a pergunta encobre o “acreditas em Deus?” “tens fé ?” entre outros, como parâmetros inseparáveis da crença, colocando nesta o envoltório do endeusamento. Como se a crença e a fé fossem fossem exclusivo duma qualquer especifica divindade, entre tantas que por aí pululam com mais ou menos seguidores, dependendo apenas da época, situação geográfica e estado psicológico.
Todas seguindo sinuoso trilho, apartando o bem do mal, talvez omitindo que nesta harmonia natural nada se perde, tudo se transforma, pelo que o aparente bem, não deixará de ser para outro o aparente mal.
E, claro, qualquer das divindades envolvidas é espelho do bem e do amor e assim são veneradas, mesmo que porventura administrem o “bem” com crueldade, que atribuirão à conduta do sofredor que assim se redimirá ou melhor ainda atribuindo o mal a outra terrível, maléfica e diabólica entidade, esta por si só garante da existência do bom Deus.
Que estranho ! Poupem-me. Mas respondo à pergunta:
Na caminhada da vida, apesar da pressa, olho à volta e humildemente extasio na observação da energia envolvente e nos acordes melodiosos da sua sinfonia
Olho o frondoso pinheiro e acredito ter brotado dum singelo pinhão
Olho os astros e acredito na disciplina da sua rota.
Olho as nuvens e acredito no vento que as empurra
Olho as águas e acredito na sua força criadora
Olho o por do sol e acredito que anda por ali paleta mágica
Olho a chuva, a trovoada, a tempestade e acredito na sua força.
Olho as fauces ensanguentadas do leão quando as mergulha no ventre da gazela, e acredito na ausência da crueldade, antes exigência do processo.
Olho o espermatozóide e o óvulo, de tão frágil aparência, e acredito no poderoso ser que conseguem gerar, por vezes máquina destruidora, provando assim que até na natureza “errar é natural”.
Olho para mim, reconhecendo o insignificante grão de poeira na mó da vida, e acredito nesses magníficos poderes que temporariamente me foram atribuídos
Depois de tanto observar acham que era possível não ser crente?
No fundo acredito no amor e na vida, na força e equilíbrio da natureza, no bem e no mal, passageiros clandestinos que tanto se transmudam.

Não perco porventura o sentido critico e comigo sou duro.
Sou o meu deus. Tenho um templo e ali medito. Acabo por ser rico.

2 comentários:

**** disse...

Nesta terra de cegos, acaba por ser é... milionário! (:

ana ilda disse...

Querido Carlos Alberto nós somos um pedacinho de Deus porque (para mim ) Deus é TUDO O QUE É .

Muito amor e muita luz para si

ana