
Quando chego a esta cidade, a minha natal, o que venho fazendo cada vez a mais espaços, poupo-me à condução, que usualmente faço a gosto, evitando-me ficar sujeito à impossibilidade de terceiros a reconhecer não andarem sós na terra e também à possibilidade de ouvir alguns eventuais e gratuitos insultos.
Acresço-lhe ainda a vantagem notória de, por momentos e naquele bulício citadino, criar um casulo de isolamento ou posto de observação de condutas insólitas de que felizmente o humano é pródigo.
Conduta por vezes curiosa, por bizarra.
Foi assim que numa destas pequenas viagens, alguém se deslocava abengalado e coxeando, atravessando aquele mar de humanidade.
Um outro sujeito que evidentemente o conhecia, alargou um daqueles sorrisos de publicidade às cáries e ao tabaco e exclamou:
— Eh pá, há que tempos não te via, como passaste ?
Após aquela sinistra aventura de difícil progressão, a resposta era óbvia:
— Com dificuldade !
E logo, sem atenção à resposta, brotou a pergunta seguinte:
— Então e a saúde ?
Nova resposta, aliás evidente pela aparência destroçada:
— Mal, muito mal.
Moral da história:
As respostas não correspondiam ao manual dos rituais.
O respondente deveria ter afivelado também o melhor dos seus esgares e dado a resposta adequada, falsa que fosse, pois ninguém liga a ninguém.