sábado, 23 de dezembro de 2006

(66) VIRAR O BICO AO PREGO


Não consigo entender a passividade das formigas quando um pé humano, com intenção ou sem ela, pisa um dos seus carreiros.
São uns centos daqueles pequenos seres que ali são destruídos e, aparentemente, o facto não perturba a continuação da tarefa do ir e vir, ressalvada uma ligeira agitação.
Curioso do que pensam disso os outros humanos, resolvi sair à rua armado de micro e câmara, interpelando o passante, coisa muito em moda nos tempos que correm.
Cheguei à conclusão que a maioria age como as formigas. Regra geral não sabem, não tem opinião, não tem tempo e quejandos. O que importa é o constante ir e vir.
Emoções ? Nem por isso.
Foi giro e absorvente, porventura sem resultados práticos.
Caricaturo aqui duas ou três dessas entrevistas pelo seu destaque_
1. Encarou-me. Eh pá, não sei, talvez fosse útil nomear uma comissão para estudo do assunto e ... interpõe um sorriso alarve e exclama... Eh pá isto é para os apanhados!
2. Aprumou-se, ajeita o visual, e certamente na esperança de sair no noticiário das oito, desata num discurso complexo, falando, falando, e não dizendo nada. ( Onde é que eu já tinha visto isto ?)
3. Outro decerto me conhecia. Fitou-me, virou costas e rosnou “o gajo é doido”.
Fácil se torna retirar a conclusão que ninguém quer saber de ninguém e o sistema é tocar para a frente mesmo que a meta seja atrás.

Deu-me gozo e por tal vou preparar outra entrevista.
O assunto tem de ser explosivo.
Por exemplo perguntar o que pensam dum ser gigantesco que anda a passear na baixa pombalina, espezinhando com a sua patorra 430, humanos, viaturas, edifícios e dando piparotes aquelas belas estátuas, quando alça a perna para passar para lá do arco da Rua Augusta.
Aqui vai interessar sobretudo a cuscas, mirones e radicais que de certo vão arriscar para dar uma olhada e depois poder contar, aumentando... Se escaparem.
Olha, aquele tipo vestido de branco a dizer-me para não brincar com a câmara que é muita cara. Outro sem sensibilidade.
Que Deus me perdoe.

1 comentário:

preconceitos disse...

De cadencia a 25 de Dezembro de 2006 às 14:42
Uma boa idéia essa tua. Fico à espera das entrevistas...
O mais engraçado é que não é necessario uma creatura gigantesca para nos espezinhar como se fossemos formigas, nós os humanos nisso somos muito mais hábeis que as formigas....espezinhamo-nos uns aos outros, com perfeição, mesmo sendo do mesmo tamanho fisicamente (quanto mais às formigas....)

De solcar a 25 de Dezembro de 2006 às 19:06
Vá... Também não sejas derrotista. Embora nos espante, de vez em vez topamos com alguns verdadeiramente "humanos", poucos.

De cadencia a 25 de Dezembro de 2006 às 19:48
Poucos....

De cadencia a 15 de Janeiro de 2007 às 19:27
Então pá ? Viraste o bico ao prego ou também ao lápis ? "tamos" à espera de mais...bjs