sábado, 28 de fevereiro de 2009

(232) O raminho




Um monumento prenhe de significado


Homenagem aos soldados da paz


Um dia olhei assim.


Não me cansa.


Ali ... Na Várzea

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

(231) Caminho dos sábios


De citação colhida num belo blog que tive a sorte de visitar
http://multiolhares-poetadaspiramides.blogspot.com/
apreendi três regras para avançar no caminho dos sábios, essa estrada que certamente todos gostaríamos de trilhar.
Não ponho em duvida a pertinência da afirmação, antes reflicto na dificuldade de concretização, evidencia óbvia, pois ao contrário seriamos todos sábios.
São as regras: Domina tuas palavras; Domina teus pensamentos; Não faças dano a ninguém.
As duas primeiras são de concretização pessoal, diferindo apenas no grau da dificuldade da sua execução.
Posso perfeitamente dominar as palavras.
Todavia, o pensamento é outra história, exigindo porventura auto domínio mental, não fácil de atingir.
Não fazer dano a ninguém, não depende apenas da vontade própria e mais do sentimento do outro.
Quantas vezes nossos pequenos actos, praticados na crença da maior inocência, são entendidos como verdadeiras ofensas ?
Prevejo a quase impossibilidade de coexistência e entendimento, se, a cada palavra, a cada gesto, tivermos de medir com rigor os sentimentos dos outros, na sua maioria para nós desconhecidos e até contemporâneos de outras culturas, outros mundos, outros credos.
Para isto conter verdadeira eficácia, por tanta ponderação, cessava a comunicação.
O nosso esforço é limitado pelo conhecimento do outro, suas diferenças e o respeito merecido por ser distinto de nós.
Esse caminho dos sábios está eriçado de espinhos e armadilhas.
Só alguns o atravessam, os eleitos, e por isso conhecemos tão poucos.
Bem hajas, MULTIOLHARES, por permitires a reflexão.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

(230) Geometria






Acreditou-se que o mundo era plano...


Provou-se depois ser mais ou menos esférico
!


Na foto ao lado parece piramidal.


Ah quem me dera voar

para poder acreditar

(229) Grades


Do pouco êxito das minhas tentativas de voar, alguma coisa aprendi.
As nuvens são como os animais, não gostam de grades, ficam iradas.
Daí o cuidado.
Não aprisionem nuvens, evitam as tempestades

(228) Indecisão

Na incerteza do amanhã
Outro daqueles momentos em que o sol não sabe se fica se vai.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

(227) Ciclismo










Estamos no Carnaval, esses festejos que mexem com as gentes cá do sitio e colocam a cidade entre as melhores nesse evento.

Andei por aí com o meu vidro e tenciono editar um pequeno texto, a meu modo, sobre o Carnaval, com algumas dezenas de fotos do corso das escolas e dos cabeçudos.
No entanto, passei ali por esta estátua que, como algumas outras, não me cansa rever.
É só para dizer que a zona também tem os seus heróis e gostam do ciclismo.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

(226) Ocasos


Embora o planeta donde vim não fosse tão pequeno quanto o do Principezinho, porventura poderia estar com o por do sol horas a fio, bastando para tal caminhar lentamente em sua direcção.
Por aqui o usufruto desse gozo continuado é apenas permitido numa toma diária, ainda dependente doutros factores a considerar: como o amuo das nuvens ou a maioria das humanas tarefas, sem cor nem brilho, parte integrante da aquisição do supérfluo, absorvendo tempo de vida.
Uso especular, na tentativa de obter proveito do aparente prejuízo, e, para isso, sirvo-me de algumas das nossas fraquezas e fragilidades.
Sem duvida, o prazer retirado a um bom espectáculo está na razão inversa das vezes presenciadas. Mas há um acréscimo desse gozo no sonho intermédio, a ante visão do que vamos ver, e aí usamos essa coisa, misto de deus e diabo, a memória.
Já me aconteceu, na juventude, ter um sonho recorrente de visitar a Torre Eiffel, deliciando-me. Concretizada a visita acho que preferia ter continuado a sonhar.
O por do sol, porém, tem a vantagem das suas mil facetas.
Nunca se assemelha. Não dispenso....

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

(225) A gata


Recados e Imagens - Glitters - Orkut
Em sexta feira 13 não podia ser gato preto-
A gata comeu o pinto
Na natureza, beleza aparente e piedade não andam de braço dado.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

(224) Conversas

Gosto de desafios e porventura este não é de fácil concretização.
E http://sercristal.blogspot.com/ passou-me o osso: escrever seis questões sobre nós próprios e endossar a tarefa a outros seis bloguistas.
Faço a tentativa e, se gorada, melhor êxito auguro àqueles a quem endosso o problema e no final indico.
Aí vai:

1) Aprecio o convívio com humanos de interesses comuns, mediana inteligência, aceitem diferenças, argumentem em seu favor com coerência, possuam apurado sentido de humor.
Resultado: sou frequentemente mordido e no meu coração moram poucos.

2) Aprecio o convívio com os animais em geral, exceptuados os que o preconceito e a sobrevivência me fazem evitar. Em regra falo com todos, fico feliz quando me entendem e por vezes correspondem aos meus sinais de amizade.
Resultado: também por vezes sou mordido, mas os humanos mordem mais.

3) Aprecio a natureza em geral, ando por aí e falo com a vida, com as árvores, com as plantas, com o mar, confundindo-me no sussurro das ondas.
Resultado: quase ausência de mordeduras, talvez um espinho ou uma concha me piquem para me lembrar que estou vivo.

4) Aprecio minhas pacificas conversas com a morte. Não é tão negra como a pintam e ainda não me disse porque me vai deixando andar por cá. Talvez também seja uma solitária. Talvez se compadeça da minha mansa loucura. Talvez...
Resultado: estou certo há-de morder um dia e, como me tem poupado (ou castigado), vou esperando paciente.

5) Aprecio conversar com o amor, para tirar algumas duvidas. Após muita conversa fico quase sempre na mesma convicção: no fundo amo o amor.
Resultado: é coisa que não para de mordiscar e por vezes faz doer.

6) E finalmente, quando estou só, e é frequente, e me dá ganas de conversar, vou até um dos diversos espelhos cá de casa. Não espelham o meu exacto perfil mas são interlocutores atentos, pacientes e quase fieis.
Aí desabafo
Resultado: Acabo excessivamente mordido.

Isto foi longo demais, desculpem lá qualquer coisinha.

Agora os meus eleitos:

sábado, 7 de fevereiro de 2009

(223) Confronto










Não sou grande trunfo a escrever. Corto-me aos textos longos, evito exageros de vocabulário e opto por frases curtas.
Reconheço todavia que na postagem 220 pequei por defeito.
Naquelas duas frases sintetizei o meu pensamento sobre o conceito de beleza aparente.
Sempre ouvi dizer que pouco adianta malhar em ferro frio e, como a foto gerou alguma controvérsia, venho malhar enquanto está quente, ou no menos morno.
A partir dum rosto aceite como belo pela generalidade da sociedade humana actual, quebro-lhe as linhas de harmonia, sem retirar os adornos.
Na quase maioria dos comentários recebidos, ou escutados, surge unanimidade: horrível é a palavra.
Não tomo porém o facto como universal, mas tão somente condicionado pela proximidade de hábitos e formas de vida.
O horrível, neste caso, é tão falacioso e dependente como o belo.
Aceitamos o padrão de beleza ou fealdade que nos é inculcado pelo grupo social na nossa longa aprendizagem.
Gosto de criar cenários e dá-me certo gozo imaginar, numa qualquer galáxia, por aí, se todos tivessem o aspecto da dama distorcida, ou fossem sujeitinhos verdes com cabeças triangulares, qual seria o comentário quando observassem a nossa beldade da direita.
Até apostava: horrível !
Por isso não sou tão redutor, aceitava perfeitamente quem me dissesse encontrar beleza na distorcida senhora, sinal evidente da crença na diferença.
E, por estranho que pareça, a aprendizagem leva-nos também a padronizar a outra beleza, a perene, a do espírito, aquela que só o coração vê.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

(222) Sensibilidades


"...Sou assim-assim...sou importante para alguem...sou humilde,sou vaidosa... ...sou fragil, sou coragem... sou doce, sou paixão...sou lágrima cansada, sou noite enluarada... Sou Balança. Vivo cada dia intensamente, como se fosse o ultimo"


Nem peço desculpa à Maysha por publicar o descritivo do seu perfil e ainda linkei o blog. E isto porque às coisas belas não bastam noites enluaradas e ousam também sair à luz dos outros.
Deixo o baraço. Se ela ordenar enforco-me, que é como quem diz: retiro daqui a transcrição. Tenho atenuantes: também estou na balança.
Depois quero agradecer o seu carinho pelo selo prémio que lhe foi entregue pela Ana, me transmite, e acima também aponho.
É o primeiro. O meu blog não merece distinções, é meio louco, meio raiva... e vai do grito ao gemido, sem esquecer a ironia, não a genuína, antes aquela afim do humor. Toco em coisas que ignorar convém.
Esperançado ando que tudo esqueça, quando a loucura for por inteiro.
O prémio cumpre a missão e fui logo, em pequeno voo, ao espelho mágico, onde mirei sem distorções a criatividade e sensibilidade de braço dado. Parabéns também à Ana.

Compartilho a distinção com os amigos:

http://comoze.blogspot.com/

http://caminhoseternos.blogspot.com/

http://bart1914.blogspot.com/

http://andradarte.blogspot.com

http://alcindaleal.blogspot.com/

E agora, Maysha, fico a aguardar sentença.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

(221) Futuro



Ouvi alguém afirmar que o homem, tido por animal racional, é o mais irracional dos irracionais.
Basta lembrar a ansia de conhecer o incerto futuro, esquecendo de viver a realidade do efémero presente, usufruto do hoje.
Em conluio neste absurdo não deve existir outro.
São frequentes as consultas a videntes e circulam no ciber espaço milhentos testes sobre a nossa existência, comportamento, sinas e até estado físico e psíquico.
De fácil resposta, numa dúzia de questões de sim ou não, esquecendo bastas vezes a mediana, onde usa morar a virtude, e zás... lá nos situam acima ou abaixo numa bitola considerada, por nem sem quem, a ideal. Isto, ou dizendo apenas aquilo que gostaríamos de ouvir, num assomo de suprema vaidade.
A experiência nunca foi má conselheira, pelo que entrei numa dessas, dando respostas em consciência, pois não gosto de brincar em serviço.
Fiquei todavia sobressaltado na falta do virtuoso talvez, nem sim nem não, em alguns casos indispensável à assertiva resposta.
Mas pronto, lá conclui a coisa e tratando-se de saber qual a minha expectancia de vida, lá fui, sem ansia, à procura da resposta.
Com surpresa constatei ter morrido há já três anos.
Porque não me agrada colher flores, também não as levo a finados, pelo que dei graças não estar em falta comigo próprio.
Todavia fica uma questão por resolver: estarei a roubar anos à morte ?

domingo, 1 de fevereiro de 2009

(220) Pensamento

Na beleza não existe verdade absoluta.
A beleza não passa de mero pensamento.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

(219) Comparações


Hoje tentei imaginar a natureza humanizada ou, dizendo doutro modo, aplicar as regras da sociedade humana à vida natural dos outros seres, a esse sistema de equilíbrio cujo principio, embora semelhando anarquias, violência e destruição, é a tentativa do renovo na intenção de melhor adaptação ao meio físico e ambiental.
Seja ainda a destruição do outro por mera imposição da sobrevivência (defesa e alimentação), para tal equipando-se os seres de armas naturais e biológicas, para actuação em plano instintivo, em que tamanho não é argumento.
Qualquer animal, neste contexto, esforça a toma do essencial na rejeição do supérfluo.
Bem, aqui chegado, e conhecendo a organização social humana e suas actuações, entro na casa do desespero para completar a ideia.
Nem mesmo com imaginação consigo adaptar aos outros animais a carga de supérfluos de uso humano.
Não estou a ver o leão preocupado se tem rede no móvel para convidar a leoazinha a dar um salto à discoteca para abanar a juba ou a formiga, na sua labuta, preocupada com o lazer da cigarra, história inventada pelo homem para dar lições que não aprende.
As comparações não resultam, nem delas tiro o gozo pensado, pois, a troco de benefícios espirituais, integraram-me numa sociedade plena de "merdices", como diria amigo meu, ervas malignas da seara da vida.
Olho aqui para a chávena de café e, entristecido, desisto de convidar o leão a fazer-me companhia. Decerto só criticas me faria.

domingo, 25 de janeiro de 2009

(218) Gotas


Ciberespaço, infinito, sem dimensão.
Ali navega o bem e também o mal, recebendo cada viajante a quota, consoante o seu entendimento desses conceitos.
Porventura a busca satisfaz a procura e cada um é responsável pela sua rota e armadura.
Não o faço por sistema. Todavia de vez em vez mergulho num ou noutro blog, fugindo aos demasiado comentados ou nitidamente virados a reivindicações colectivas.
E justifico.
Nos muito comentados já quase tudo se disse e a criatividade cessou e, nos outros, já fiz um longo caminho de pedra solta.
Sou contudo cativado por formas de expressar sentimentos, geradoras de reflexão, e até me permito delas fazer adopção.
Foi o caso DISTRIBUIR AFECTO GOTA A GOTA.
Na verdade pese embora a maravilha do toque do abraço, ele asfixia por demasiado aperto.
São assim mais generosos os abracinhos.
De gota a gota e pacientemente obtemos um oceano onde, decerto, perigo não corremos
Bem hajas pelo ensejo deste texto

sábado, 17 de janeiro de 2009

(217) Umbigos

Umbigo em cicatrização - obséquio de Wikipedia



Usa dizer-se dos petulantes e egocentristas estarem convencidos que o mundo gravita à volta do seu umbigo.
Trata-se duma peça anatómica, em minha opinião algo inestética.
Uma prega na pele, proveniente da cicatrização dum nó de tripa, por vezes de execução descuidada, outras não tanto.
Como disse, esteticamente nada me conta e de erótico, aspas, aspas, existindo outras zonas da pele bem mais erógenas.
Por tal me boqueabro quando vejo a peça em mostra publica, obediente às modas em curso, quer esteja quente ou faça frio e, com frequência, adornada de piercings ou outras peças de adereço.
Seria a mostra o somenos, não fora o convencimento metafórico daquela gravitação.
Esta coisa é mais gravosa.
Tentei explicação lógica e não encontro, pese embora aquele canal, ora encerrado, ter sido em tempos o único garante da boa vida gestativa, o argumento não valida a adoração fanática de tantos como se de centro do mundo se tratasse.
Por mim, se me restar algum espaço, pouco se me importa em qual umbigo gravita o mundo.
Que tenham bom proveito !

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

(216) Respeito pelo outro

Reconheçam sempre que a vossa vida é um sonho




Enviaram-me um mail e uma das fotos acima, acrescido do texto que na integra transcrevo:

"Atraídos pelo cheiro adocicado e pelo sabor de fruta, os pássaros comem restos de pastilhas elásticas deixadas, irresponsavelmente, em qualquer lugar. Ao sentirem a pastilha colada no seu bico, tentam, desesperados, retirá-lo com as patas... E aí, acontece o pior: morrem sufocados.
Por favor, passe esta mensagem para que, principalmente as crianças, sejam consciencializadas."
Por mim teria alterado "principalmente os adultos....", pois deles deve brotar o exemplo e a educação das crianças no respeito pelo outro.
Nesse dia tinha visto em tv uma daquelas séries de morte em série, passe a redundância.
Da conversa entre os protagonistas concluía-se, sem novidade acrescida, ser o homem o único animal conhecido que mata e tortura, até os da própria espécie, por puro lazer e prazer.
O aviso vem acrescentar ao lazer e prazer, também o desleixo e o desprezo pelo outro, seja ele quem seja, coisa aliás bem patente para quem faça o caminho e observe, não necessitando até de muita atenção.
Estas coisas mexem comigo e aqui publico a nota na crença de que a pequena semente tem capacidade de gerar fruto.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

(215) Lágrimas de crododilo







Quando um humano hipocritamente chora, usa dizer-se que são lágrimas de crocodilo.
Por obséquio da Wikipédia aqui fica a foto do simpático animal e a explicação (mitológica e cientifica) para as lágrimas.
Cada vez gosto mais dos animais.

Desde a antiguidade clássica, difundiu-se o mito de que os crocodilos emitem um som semelhante a um soluço quando atraem as pessoas até sua caverna e, depois de devoradas, deixam cair amargas lágrimas, talvez de compaixão pelo triste destino de suas vítimas. Esta é a origem da expressão "derramar lágrimas de crocodilo", usada para referir-se a quem chora para fingir um sentimento que não é verdadeiro.
A expressão popular derramar lágrimas de crocodilo, usada para dizer que alguém chora sem razão ou por fingimento, surgiu de um fato real que acontece com os crocodilos. Quando o animal come uma presa, ele a engole sem mastigar. Para isso, abre a mandíbula de tal forma que ela comprime a glândula lacrimal, localizada na base da órbita, o que faz com que os répteis lacrimejem.

domingo, 11 de janeiro de 2009

(214) Afectos

À Ida e ao Fernando com ternura





Duma forma genérica, gosto de todos os animais e quando elimino alguns tenho de ter em minha consciência razão para tal, em pura obediência às leis naturais.
E depois tenho amigos que lhes dão o seu afecto e com eles convivem.
Bom exemplo é o Putchi, já entradote, pese o jovial porte, com quem por vezes tento trocar opiniões e me dispensa algum carinho.
Com desgosto para eles a piriquita, por limite de idade, foi chamada recentemente às grandes pradarias e para que o companheiro não definhasse, do que dava mostras, logo substituíram a velha senhora por uma colorida jovem e com ela um pequeno espelho colocado na gaiola.
O velho macho aceitou deliciado a jovem presença e ambos manifestam conduta, a nível humano tida por afecto, ternura, quiçá amor na evidente prova de desprezo ao tempo e respectivo bilhete de identidade.
O mais curioso porém é o encantamento do espelho, pois o colorido casal, passa o seu ternurento convívio junto ao mesmo e dali não arreda asa.
Por especulação humana queremos justificar o facto, insólito ou talvez natural, emprestando-lhe emoções do nosso foro.
Serão aquelas aves sociais e o espelho forma gratuita de, duplicando a imagem, criar a ilusão do bando e de convívio, compondo, à falta da floresta, uma parcela do cenário primitivo. Ou conhecerão a história do espelho mágico e estarão a questiona-lo se no mundo há outros que se amem tanto ?
Com esta conversa de treta e a compará-los aos humanos, aqui afirmo, para que conste, não querer de forma alguma ofender os piriquitos.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

(213) Cores da verdade


Em discurso corrente é quase inevitável surgir: "na verdade... bla bla bla".
Poderá ser verdade, a do orador, eventualmente imbuída de algum mérito e senso e porventura até ecoando noutras verdades por aí vogando à toa.
Isto de verdades, sei da minha e, para ser conscientemente justo, terei de admitir, desde que não eivadas de malícia ou convicta mentira, a tua, a dele e a de todos os outros, porventura diferentes.
Existe um interessante teste bem demonstrando o intimo da volúvel verdade.
Num grupo de pessoas foram escolhidas cinco e isoladas. A missão da primeira a cumprir em cinco minutos seria decorar uma pequena historieta. Em seguida contá-la de memória à segunda pessoa, sem a presença das três restantes, esta segunda teria de contar à terceira nas mesmas condições e assim sucessivamente.
A quinta teria de relatar à assembleia, conhecedora do original, a história acabada de ouvir
Divertido mas sério e gravoso, levando-nos a bem ponderar qualquer testemunho por ouvir dizer ou mesmo de mera observação.
Desta forma quase cientifica se despe a senhora verdade, mostrando a multicidade de cores a brotar de raiz comum, as primárias, todavia de aparência bem distinta, umas límpidas, outras nem tanto.
A verdade individual, mesmo revestida do vinculativo "juro" e prenhe de boa fé, não deixa de ser um ponto de vista, dependendo excessivamente da opção de vida e percurso do observador e, por tal, nos contraditórios se pede humildade e ponderação.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

(212) Inventos

Estando tudo inventado, segundo dizem, somos de imediato conduzidos à mera reciclagem e melhoramento do espólio actualmente à nossa disposição.

Nada acontece por acaso e, embora te pareça o contrário, ate mesmo o mal permanece ao serviço do bem.

Estou crente e resistente, esperançado em criar algo novo, invento em fase experimental e do qual já retirei algum beneficio.
Carece de aperfeiçoamento e destina-se a aproveitar algum bem contido no mal, permitindo a tranquilidade de espírito, mesmo quando os mares são tempestuosos.
Não receando imitações, vou levantar um pouco o véu.
Trata-se dum pequeno chip.
Dessas minúsculas coisas, pequeninas, pequeninas mas obrando maravilhas.
Esta coisa, a ser à nossa dimensão, seria enorme e ovóide, com três
pequenos orifícios, um de in e dois de out.
Pelo in enfiam-se os chatos problemas do dia a dia ou de resolução complicada, os que eventualmente nos podem tirar o sono, colocando-os no interior da coisa no seu misterioso movimento e nem sequer há necessidade de carregar num botão.
Por regra, os ditos problemas, após complicadas evoluções intestinas e respectivo tratamento, emergem por um dos out com muito melhor aspecto, mais límpido, e, pasmem, por vezes, transformando em beneficio o prejuízo inicialmente aparente.
Ah, o outro out é uma espécie de cloaca, por onde sairão os produtos tóxicos causadores dos problemas, sendo vivamente aconselhável lançá-los ao esgoto por falta de aplicação prática.
Vai resultar e vou patentear. Ali aqueles senhores vestidos de branco estão a sorrir, desdenhando, mas vão comprar.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

(211) É mesmo


The richest person is not the one who has the most
but the one who needs the least


Retirei esta frase dum mail agora recebido.
São tantos que por vezes nem dá para ler, correndo o risco de perder jóias.
Ler, ouvir, pensar, as nossas verdades ditas por outros, dá aquele gozo.
Esta frase contem a minha meta, o ideal do meu finito universo.
Este valeu a pena. Fico grato...

sábado, 27 de dezembro de 2008

(210) Pinguins

obséquio de Wikipédia

Assisti há dias a parte dum daqueles magníficos programas da NGM e de pinguins se tratava, esse bizarro, aparentemente desajeitado, nosso companheiro deste planeta azul.
Era exposta uma das formas como se defendiam do gélido clima, agrupando-se e apertando-se, em circulo, aos milhares.
Por conhecer os humanos, logo aqui me coloquei a questão dos coitados da periferia e, como se ouvido me tivesse, o apresentador passou a explicar que funcionava a equidade e periodicamente se iam revezando, sem reservas, sem luta, disciplinados.
E ainda foi focado o profundo empenhamento dos machos na guarda e aquecimento dos ovos, enquanto a fêmea procura alimento e a provável inversão de papeis após o nascimento das crias.
Não duvido ser este comportamento puramente instintivo e só me questiono da dificuldade humana na aprendizagem destas simples lições de vida e coexistência, uma vez que, para lá do instinto, foi o homem beneficiado doutras supostas mordomias, alcançando a fama de animal racional, bastas vezes não passando de mera alcunha.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

(209) Ainda Natal

Em extensão ao texto 207 e sabendo que os votos de felicidade ali expressos apenas serão entendidos por alguns, poucos, aqui reitero o alargamento dos votos, na esperança de alguns mais tomarem conhecimento deste

FELIZ NATAL E NOVO ANO

Weihnachten und guten Rutsch ins neue Jahr
سعيد عيد الميلاد والعام الجديد
Коледа и щастлива Нова година
BON NADAL I ANY NOU
Vánoce a šťastný nový rok
圣诞节和新年快乐
크리스마스와 새해 복많이 받으세요
Božić i sretna nova godina
Jul og godt nytår
Vianoce a šťastný nový rok
Božič in srečno novo leto
FELIZ NAVIDAD Y AÑO NUEVO
Christmas at maligaya bagong taon
Joulua ja onnellista uutta vuotta
NOEL ET BONNE ANNEE
Χριστούγεννα και Ευτυχισμένο το Νέο Έτος
חג המולד ו Happy New Year
क्रिसमस और नया साल मुबारक
KERST-EN HAPPY NEW YEAR
Natal dan tahun baru happy
CHRISTMAS AND HAPPY NEW YEAR
Natale e felice anno nuovo
クリスマスと新年あけましておめでとうございます


e o Google ainda oferecia mais idiomas, tendo eu o cuidado de escolher a nossa ordem alfabética, entre os oferecidos, para não magoar alguém.
Porém desisto, pois de repente me lembrei dos dialectos, subdialectos, etc etc, até os que se entendem por estalidos e para quem isto de grafias pouco diz e blogs ainda menos, sendo duvidoso me bastasse o tempo disponivel a crédito, nesta contabilidade da vida.
A minha mansa e sensata loucura, impediu-me de continuar, deixando-me este sedimento amargo da impossibilidade dos humanos se entenderem numa abrangência global, sem o calhamaço normativo dos conceitos.








Estando ali um gato, ainda lhe perguntei se, entre eles, tinham este problema.
Fitaram-me aqueles verdes olhos altivos e espantados, virou a cabeça e lambeu o pelo.
Ou não me entendeu ou despreza-me como humano, pelo nosso falso sentido de evolução e inadequado uso da vida por precário empréstimo tomada.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

(208) 愛

Tanta dificuldade para entender emoções tão comuns.
Basta clicar no titulo

sábado, 20 de dezembro de 2008

(207) Natais

obséquio da NASA

Tenho alguma dificuldade em aceitar o compasso da marcação dos tempos, estipulando-se que hoje é isto, amanhã aquilo, constituindo-se rituais geradores de grandes pressões, ansiedade nas pseudo obrigações, preocupação no vinculo da lembrança e, em grande parte dos casos, considerando o facto uma seca.
Exemplo: Porque havemos de festejar aniversários e não "diários"?
Afinal seria mais coerente, após receber a dádiva, dia a dia, quando acordamos e nos é permitido festejar a rota do sol, fazê-lo em pleno, esquecendo os desaparecidos ontens e os enigmáticos e talvez inexistentes amanhãs, omitindo memórias e vivendo um pouco como os outros animais nossos contemporâneos.
Com todas estas marcações de natais, páscoas, carnavais e quejandos, lá somos nós levados a anexar a essas datas, as nossas alegrias e tristezas coincidentes, coisas afinal diariamente connosco mas nessa altura exacerbadas.
Este é o meu sentir e, para os que comigo concordam e para os outros cujo sentimento difere, a que tem todo o direito, deixo aqui os meus melhores votos de saúde, serenidade, luz e amor, garantindo mais uma vez que os amigos são exactamente como algumas estrelas, posso não os ver mas sei exactamente que estão lá e também no meu coração.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

(206) boomerang

obséquio da wikipédia



Eis uma interessante e perigosa criação humana, misto de brinquedo e arma.
Requer extrema perícia no seu manejo, pois do preciso retorno, depende o preciso arremesso.
A perícia, em qualquer arte ou oficio, é a pedra de toque da correcta execução. Passa por rigoroso e constante exercício e também por profunda consciência, só possível quando a sua prática está prenhe de serenidade, aceitação circunstancial e sobretudo respeito pelas fronteiras e limites dos outros.
Afastado assim fica o egocentrismo e a ideia exótica de que o mundo nos persegue, quando afinal, o nosso mundo parece ser mera construção pessoal.
Referi o boomerang como poderia ter mencionado a palavra, a escrita e tantas outras acções, como até o acto físico.
Quando os procedimentos não são conformes ao estilo da época das nossas vivências, arremessamos à toa o "objecto" e, na falta da preciosa perícia, não o agarramos no retorno, ficando sujeitos a levar com ele na cabeça ou noutra parte mais sensível, quem sabe, para depois culpar o mundo e assim isolados nos mantermos.

Uma sugestão: não se usem armas tão perigosas, por brinquedos que pareçam.

domingo, 14 de dezembro de 2008

(205) Mulheres/Homens

Objectivamente podemos encarar o relacionamento mulher/homem, ou homem/mulher como queiram, segundo alguns aspectos inerentes às diferentes condições biológicas e sensibilidades, como seres da mesma espécie.

Tratando-se de seres da mesma espécie de prática assumidamente social, vivem em interdependência e, pese embora não troquem intimidades ou gostos afins, haverá de subsistir, como principio fundamental, o respeito pelo outro e a integridade dos seus limites e fronteiras, até por garantia reciproca, bastas vezes não assegurada.

Todavia e dependendo da aproximação, sobressaem dois grandes grupos.

Na vertente da sexualidade podem atingir um poderoso entendimento físico, quando a fusão dos corpos garante o tipo de êxtase, como dum só se tratasse, esquecida a partilha.

Na outra vertente, o elo porventura mais fraco, todavia mais poderoso, continuado e consistente, quando partilham intimidades, que não sexuais, e afinidades profundas, discutindo-as no sentir benigno do esclarecimento e evolução.

O ideal, utópico como é de uso, seria a conjugação destes elos numa só corrente, de forma a obter uma magnifica e unica ligação dos frágeis seres que afinal somos.

Apesar do cepticismo, há quem creia em milagres.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

(204) Sementeiras


A natureza, em seus engenhos e ardis, usa os elementos e os animais na promoção do processo das sementeiras aleatórias, garantindo assim a germinação de quase todas as espécies, pese embora a perca de milhões de hipóteses.
Todavia, por vezes, até da fenda da rocha brota o rebento.
Alguns humanos, imitam convictos o acto, semeando a eito palavras, suas e dos outros, sem mesmo medir consequências ou nelas reflectir.
Por sorte, grande parte, como na natureza mãe, cai em solo estéril e não germina.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

(203) Loucuras da noite

O vidro da minha máquina captou esta imagem numa das ultimas idas à grande cidade.
São os fantasmas do stress, ao fim do dia, quais pirilampos, desenfreados, alucinados, sem rumo e bufando dióxido de carbono, porventura na procura de abrigo, em fuga da anunciada fria noite
E eu, ainda mais louco, na busca da perturbada paz e do silencio.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

(202) Profundo silencio


Lá, na beleza das profundidades, onde impera o silencio.







As palavras, seres virtuais de estrutura complexa, fantasiam um corpo e sua alma e escravizam o homem, para tomar forma, usando dele a voz, a mão e por vezes a mente.

Assim conseguem expressar toda a gama de sentimentos, saltitando do amor ao ódio, da tempestade à bonança, da alegria à tristeza, da agressividade à doçura, tocando o negro e cinza, fronteira destes opostos.
Por vezes dúbias, podem até parecer o que não são, na incerteza dos limites e, excedendo-se, podem provocar a vida e a morte.

Tem porventura uma qualidade/defeito:

Quando expressas ou escritas depara-se a quase impossibilidade da inversão do seu sentido.

Senhoras absolutas da raça humana, nem os mudos escapam, a menos acumulem à iliteracia.

Daqui retiro ser o silencio efectivamente de oiro e por vezes preferível a mil palavras.

domingo, 30 de novembro de 2008

(201) Vida de cão




Foto da sua meninice.
Não deve lembrar-se.
Memória é defeito humano.
Todavia outros copiou.
Quando lhe digo:
Cãozinho lindo.
Saracoteia os seus actuais 40 kgs
E vaidosamente abana o rabo...

(200) O poder familiar




Tirania, ditadura e democracia, três regimes, entre outros, porventura distintos, tendo todavia em comum a tomada do exercício do poder.
O tirano toma todo o poder nas suas mãos e diz: farão o que quero e como quero. Tranquila maioria absoluta.
O ditador, mais brando, à socapa, cala as vozes contraditórias e, a final, declara a concordância dos que restam. Maioria absoluta trabalhada.
O democrata, mais doce ainda, arenga, arenga, proclama todos iguais, todos livres de fazerem aquilo que ele entende ser o melhor.
Amansado o rebanho basta-lhe a maioria relativa e nem precisa de cães.
E assim, para escolha de quem manda lá em casa, pede-se ao diabo que decida.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

(199) Carraças



Os gémeos desanimo e desalento, contrariando o conceito, na rapidez de movimentos aos nomes não fazem jus.
Ao acordar, deparei hoje com esses dois inseparáveis patifes à minha cabeceira.
De nada me valeria o protesto ou tentar mergulhar de novo no agradável mas abandonado sonho em que pairava.
Por regra não discuto, acato, arrasto-me ao cumprimento das tarefas matutinas, engulo o almoço, pequeno em demasia, e desando.
Sendo muito chegados, unha com carne, unânimes e tenazes nas suas perseguições, são carraças e lá seguem agarrados ao meu pelo.
Dissimuladamente aproximo-me da cafetaria e sinto neles o primeiro abalo ao odor pairante da cafeína.
Conhecendo o resultado, sorvo a mistela, lentamente e com delicia.
Minutos passados perdem a ousadia, esmorecem, e, como nunca sei quando recobram o alento, sem piedade, sorrateiro, pago e ali os deixo.
Por azar sabem onde uso dormir.
Todavia, e com sorte, só amanhã voltarão, pelo que vou aproveitar da oferenda deste belo dia de sol.