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quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

(204) Sementeiras


A natureza, em seus engenhos e ardis, usa os elementos e os animais na promoção do processo das sementeiras aleatórias, garantindo assim a germinação de quase todas as espécies, pese embora a perca de milhões de hipóteses.
Todavia, por vezes, até da fenda da rocha brota o rebento.
Alguns humanos, imitam convictos o acto, semeando a eito palavras, suas e dos outros, sem mesmo medir consequências ou nelas reflectir.
Por sorte, grande parte, como na natureza mãe, cai em solo estéril e não germina.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

(202) Profundo silencio


Lá, na beleza das profundidades, onde impera o silencio.







As palavras, seres virtuais de estrutura complexa, fantasiam um corpo e sua alma e escravizam o homem, para tomar forma, usando dele a voz, a mão e por vezes a mente.

Assim conseguem expressar toda a gama de sentimentos, saltitando do amor ao ódio, da tempestade à bonança, da alegria à tristeza, da agressividade à doçura, tocando o negro e cinza, fronteira destes opostos.
Por vezes dúbias, podem até parecer o que não são, na incerteza dos limites e, excedendo-se, podem provocar a vida e a morte.

Tem porventura uma qualidade/defeito:

Quando expressas ou escritas depara-se a quase impossibilidade da inversão do seu sentido.

Senhoras absolutas da raça humana, nem os mudos escapam, a menos acumulem à iliteracia.

Daqui retiro ser o silencio efectivamente de oiro e por vezes preferível a mil palavras.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

(184) Palavras


e muitas outras...
Desta vez, passeio à vista,
fui enchendo a mochila com mãozadas de palavras,
colhidas a esmo e sem critério.
Tarefa terminada e, na mirada, logo pasmei.
Tantas e tantas conhecidas palavras e, ali,
naquela insensata mistura,
tão vazias de sentido se mostravam,
mexendo-se atabalhoadas, acotovelando-se, sem ordem,
algumas felinas, agressivas...
Fora dum contexto, podem ser tudo e nada!!!
Sem desanimo, mochila a tiracolo, sai,
determinado a trazer ordem ao caos.
Depois, pelo caminho, fui esvaziando a mochila,
palavra aqui, palavra ali, sequentes,
cada uma aceitando a outra,
dando-lhe espaço, vida e significância.
E serenamente apreendi:
As palavras são como os afectos,
espelham-se nos outros
para desabrochar em plenitude.
Fez sentido esvaziar a mochila...