quinta-feira, 31 de julho de 2008

(169) Exterminadores



A desinfestação resulta duma sociedade onde impera a lei da sobrevivência e não fora o desequilíbrio de forças, desiguais e mal distribuídas, seria lógica e justa, na medida de ser esse o impulso de qualquer ser vivo.
Acabam por subsistir não os mais invasivos, antes os aparentemente melhor protegidos pela natureza.
Os supostos donos da razão e do polegar oponivel.
Sempre sob o baluarte do efeito épico ou ilustre, de cognome os bonzinhos, estende-se a exterminação até aos da mesma espécie.
Nas Cruzadas era intento expulsar os infiéis; na Alemanha apurar a raça... e antes... e depois... e qualquer dia.
E tudo isto porque o cordeiro, a beber a jusante, contamina a água que o lobo bebe a montante, numa visão egocêntrica do próprio umbigo.
Todavia a teclagem já vai longa e o intuito era alertar para um solitário especialista da exterminação.
O ser apaixonado com uma visão do amor eterno e contagioso, exigindo na permuta igual paga, esquecendo do outro a diferença, a mediação, sentimentos paralelos, não escutando suas falas, nem interpretando seus escritos.
É um perito no uso de produtos altamente sofisticados e dolorosos, com suaves nomes de perfume: obstinação, perseverança, fantasia, ilusão, teimosia e muitos outros.
Não conseguindo a totalidade do amor, actua e, além dos danos colaterais, danifica esse amor, vassoura o sexo e a amizade, esquecendo ser esta a fonte, onde, na essência, vão beber todos os sentimentos nobres.
E, bizarro porém histórico, após o morticínio, considera-se dono da razão e candidamente inocente.
Cuidem-se !!!

terça-feira, 29 de julho de 2008

(168) Crenças

... e convicções
Quando se está atento, as mesas ao lado são excelentes emissores.
Não resisto e me perdoem a cusquice !

- Deus existe ?
- Claro, é a nossa luz, o nosso guia na sua infinita bondade !
- Então porque sofremos ?
- Pode suceder, quando está cansado.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

(167) Outros seres

fotocantodocarlos

Outros seres do mundo do silêncio

Lá tive de passar mais vinte e quatro horas na grande balburdia, por sorte, sete delas a dormir.
Tento perceber este meu desapego à grande urbe onde nasci e em desilusão vivi a idade das ilusões.

A meu favor, dois argumentos lhe juntei hoje: a óbvia integração numa população deveras envelhecida e a falta de identificação ao lidar com o facto.

Dito doutro modo: "sendo os jovens belos uma criação da natureza; os idosos belos criam-se a si mesmo". A minha dificuldade mora em constatar, entre tantos, quão poucos são.

Nos transportes públicos, a algazarra e a falta de respeito ao outro, fizeram-me invejar esse maravilhoso mundo do silêncio, habitado por seres belos, insinuantes, distintos, porventura também devorando-se entre si, em silêncio porém.

(166) Quem és ???

Plim-plim Sinal de mensagem.
Não conheço o número nem me interessa conhecer.
Mensagem anónima, pois, questionando: quem és ???
Normalmente apago e esqueço. Não foi o caso.
A duvida e incerteza é de constância avivada.
O próprio perfil do blog nos impinge o quem sou, questão que tentamos iludir, capeando-a de ses e talvez, no fundo a esconder a tremenda ignorância.
Respondendo, diria "nada", para não plagiar o outro que apontou e disse "ninguém".
Ou talvez, quem sabe, seja uma mal arrumada pitada de poeira cósmica que o vento em breve espalhará.
Continuarei na penumbra, mas valeu esta mensagem!!!
Bem haja.

sábado, 19 de julho de 2008

(165) Seres pensantes



A viagem d'hoje, sobremaneira me agradou.
Nem sei a razão. Talvez por ter ido ontem e ansiasse o retorno.
Começo a temer o dia em que, ao lá chegar, não tenha jeito de ficar e regresse no mesmo expresso, deixando por cumprir as obrigações absurdas duma vida finita.
No percurso, olhando os campos prenhes do esforçado e humilde labor do homem, permito-me duvidar da sanidade do chefe de orquestra da natureza.
Porventura, a criação do dito humano não seria problema se os limites fossem semelhantes aos concedidos a outros e tão maravilhosos seres que por aí habitam e com alguns dos quais até uso e abuso privar.
Quis todavia ensaiar o insólito e concedeu a esta criatura a faculdade de pensar.
E daqui não mais teve mão na harmonia.
Nem batuta obedecida.
Logo se apercebeu.
Uns aproveitaram em demasia, outros não tanto e houve até alguns que, sabiamente talvez, rejeitaram o beneficio.
Esses, não pensadores, integraram a escola geral, o instinto lhes basta, continuando a tocar o seu instrumento e, sem opinião, pouco entravam o processo harmónico.
Os pensadores medianos, demasiado contestatários, arrogantes, dizem se pensam logo existem e daí causam perturbação quanta baste nos acordes, tocando cada um a seu belo prazer.
Os demasiado pensadores, necessariamente pessimistas, logo desistem, tornando-se prejudiciais ao conjunto, pela falta de entrada a seus tempos.
A balburdia é agravada pelo facto de não ser linear o preceito.
Entre existentes e desistentes, como em tudo, são extensas as zonas cinza, nem branco nem negro, acolhendo os pensadores menos convictos da sua opção.
O grande maestro, incapaz de regredir nos seus favores, estará de todo arrependido e receoso duma eventual paralisação da sua antes bela sinfonia.
Para quando ? Resta saber!!!
Tudo me foi contado pelas arvores enquanto ondulavam, acenando o seu adeus à passagem do autocarro.
Aqui fica o relato, convicto de não estar a cometer indiscrição.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

(164) Recados

Não lamentes.
É o primeiro passo na descrença.
E a verdade sempre nos confunde.
Eu sei.
Aprendi noutras lutas, noutras batalhas, noutras derrotas
Perdendo o medo e com ele a esperança.
Deixei de ler. Deixei de chorar.
Contentam-me os despojos da memória,
essa implacável amiga.

Há muito não te dou um abraço. Fica bem; na luz.

terça-feira, 15 de julho de 2008

(163) LÁ DO FUNDO

Era intenção "LÁ DO FUNDO" ir revendo alguns textos do passado e assim funcionou até agora.
Para não se perderem entre os outros, passaram esses textos a ser lincados à esquerda do blog na rubrica "Pescando no passado" e ali podem mais facilmente ser visitados.
Este texto não foi eliminado para manter os comentários.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

(162) Outros tempos



Homens poderosos
Imitando a bravura do animal

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sexta-feira, 11 de julho de 2008

(161) Amores imperfeitos

Não via o Julião há dois anos.
Gosto deste tipo e sinto o seu fado, talvez por ser capaz de lhe vestir a pele.
É ele assim um rapaz da minha idade, de muita pedra partida,.
Quando levou a pancada da viuvez, deambulou e, nos anos seguintes, fechou-se nele sem tentar sequer, por ser tarde ou não, procurar companhia.
Meio destroçado, parecia contudo bem assente na sua cimentada solidão, continuando a usar velhos remos, singrando, horizonte à vista, no mar do resto da vida.
Dizia que para ele o sexo morrera, acrescentando “e já era tempo”.
Neste reencontro leio tristeza no olhar, mais quebrado, esfomeado de se fazer ouvir e, de meu hábito, ali estava eu pronto a saciá-lo com o pão da minha escuta.
Finalmente conhecera alguém e, duvidoso do próprio desempenho, foi sem convicção acabar na cama, não propriamente para dormir.
Aos poucos acabou por se convencer que afinal o sexo apenas hibernara, surgindo agora em edição envelhecida, quiçá melhorada.
Entendiam-se. Dava certo. E da habituação passaram ao teste das compatibilidades e afinidades, coisa que o Julião entende correu na inversa e deveria ter sido o primeiro passo.
E, para não estender o relato, de imediato descrevo o sintético perfil que dela traçou .
Sensível e crente, demasiada crença, aceitando sem discussão ser o homem rei da criação.
Grande apreciadora de touradas, não vendo nelas a crueza do acto e aceitando que afinal os touros estavam aqui para isso.
Na roupagem, fervorosa devota dos Vuiton, Gucci e outros que, impondo a moda, não dão lugar à individualidade.
Senhora e sonhadora de andanças e viagens em que muitas andara.
Amante da mesa, perfeita no detalhe, convicta que ali se cria a identidade e, por tal, com alargada convivência social.
Desejosa de alargar o conhecimento da relação a familiares e amigos, como se, em idade tão adulta, os outros tivessem algo a ver com o encontro dos dois.
Ansiando por uma vida em comum, coisa arredia do Julião que, na verdade, nem já conseguia dormir acompanhado na real acepção do termo.
Se aceitar este sintético perfil e situar nele o que conheço deste meu amigo, poderia dizer, também sinteticamente: seria como se estivessem na linha do equador, ambos a alta temperatura, mas diametralmente opostos; estilos de vida arreigados, óbvia e praticamente inalteráveis no declínio.
O homem de vida simples que é o Julião, reconhece até ser possível que o ideal more no outro extremo e nem uma palha mexeria para que ela mudasse mesmo viesse isso a ser possível. Não queria, conhece a vida.
No seu âmago e por seu feitio, gostaria continuar amigo.
Nunca gostou de morder a mão que lhe faz festas.
Ela não o permitiu, acusando-o de brincar com os sentimentos dos outros e ser pessoa de usar e deitar fora.
Foi a gota de água e a lamina afiada que introduziu a duvida.
E questionou-me ele:
—Será essa a imagem que passo aos que atravessam a minha vida ?
Dei-lhe um abraço, beijei-o e disse-lhe:
— Não, não és assim. Eu sei e tu também.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

(160) Arte e Manha




Amigo do peito, há muito saído da roda da vida, de presente me fez um pequeno e belo dicionário ilustrado.
Aprecio a branda e lenta evolução, sem abandonar costela conservadora, e depois gosto de bonecos.
Bonecos, objectos, coisas, são parentes próximos dos actos e sempre superam as palavras.
Ao aceno, esse pequeno grande gesto e suas fortuitas intenções, corresponderão mil palavras e, todavia, é tão simples, maravilhoso e insinuante, esse manejo da mão, mesmo quando aparentemente nos manda a qualquer lado onde não fazemos intenção de ir.
Por isso, pesem embora, as décadas do tal livrinho, ali continuo a beber, no permanente borrifo aos acordos e diferenças.
Sou descuidado no acento, na rima e concordância, às vezes por manigância.
Na escrita deixo a arte aos eruditos e continuarei manhoso enquanto tal me der gozo.

(159) Consolo


Afinal existem bruxas ?
Um diz não crê, outro indeciso queda.
Por mim, mais preciso vou ser.
Como justificar dias cinza-negro e sem sentido, fazedores de desespero ?
Madrugada ainda alta, chegam eles sem pré aviso ao abrir do olho esquerdo e, logo, vontade e animo mal conseguem aquele sono interromper.
Mas enfim lá tem que ser ...
Com alimento e janotas, mais a lista d'afazeres, sai o arranque da saga.
É a espera; o ainda não; o não está cá; o venha amanhã; o transito; a balburdia e o constante vai e vem do eterno faz de conta.
As negas já sedimentam desanimo e desespero e, se a tarde for assim, nem o almoço cai bem.
Nesses dias cinza negro evito fazer de tolo, não desisto e insisto obter algum consolo.
Já a casa regressado, calço sapato apertado e vou correr meia hora.
De volta dessa corrida, esqueci o negro dia e os azares nele contidos. Afinal outras dores já ganharam primazia.
Um só acto me convém, os sapatos descalçar e desse alivio gozar.
Afinal que consolo... que belo dia...
O resto ? É virtual, já não lembra, não passou de fantasia.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

(158) Entre muitos...

A solidão tem o seu êxtase






quando nos sentimos sós entre a multidão

(157) O quê... ou com quem!


De viagem a textos antigos, parei em:
Só passaram dois anos e, reconheço, sem me gabar, estou cada vez mais tolerante.
Do texto aos extensos arquivos da memória, lá fui buscar um processo com estrela, arquivado há algumas dezenas de anos.
Em tertúlia de café, uma mulher, rapariga então, afirmava no grupo que quando em relações sexuais o fulcro do interesse ia para o que estava a fazer e não com quem o fazia.
Revoltou-se o ser idealista nessa época residente no seio das minhas emoções, ainda cativo das reaccionárias ilusões que o caminho vai ceifando.
A afirmação era demasiado assertiva e avançada, numa época em que a mulher, por regra, reprimia as suas fantasias, obedecendo quase cegamente à pressão do grupo (menina séria não falava dessas coisas).
O reino era o da hipocrisia.
Embora ainda me penalize, aceito hoje, como já o fazia no texto de há dois anos, a razoabilidade do conceito daquela rapariga.
Todavia o ser ingénuo e emotivo, perene habitante do meu corpo, acredita ser possível, porventura pouco provável, unir num acto só a dualidade sexo e amor, despindo a natureza da sua manhosa mascara.

domingo, 22 de junho de 2008

(156) LICENCIATURAS

Pisei três Faculdades no meu percurso.
A de Direito, a de Economia e a da Vida.
Deixei as duas primeiras pela metade e nunca aprofundei a causa.
Talvez pelo sentimento de nada aprender por ali.
Talvez pela inutilidade da sua efémera aplicação prática.
Talvez por força da ultima.
Nessa sim, em cada ano tenho renovado a matricula e, também confesso, não sei a causa.
Sou repetente e a matéria é vasta.
Parte dela provoca grande sofrimento e dor.
Exige constante mudança de compêndios.
Encobre as ilusões sob o diáfano manto das convicções.
Todavia e estoicamente, vou continuando.
Questiono-me: porquê ?
Dum blog que uso visitar e onde frequentemente me revejo transcrevo o texto que aparentemente me dá a resposta nesta continuidade: (http://caminhoseternos.blogspot.com)

"Este é um teste para descobrir se a tua missão na vida está completa Se estás vivo é porque não
Ninguém morre sem ter experienciado tudo o que veio experienciar ao mundo físico."
---
Tanta experiência já acumulada!!!
Quantos mares e desertos ainda terei de atravessar ?

domingo, 15 de junho de 2008

(155) MIRAGEM

Segredos do meu mundo Posted by Picasa

sábado, 14 de junho de 2008

(154) TUDO OU NADA












As duas imagens são semelhantes.
A que supomos ver e o seu oposto.
Como certos seres para quem o amor é um jogo de tudo ou nada.
Querem os outros como acessórios, esquecendo o roteiro da sensibilidade: ternura, carinho, amizade, compreensão, aceitação, donde, por vezes, sim, poderá brotar profundo amor nem sequer carecendo de correspondência.
Olhando a copa das árvores, adoraria porventura voar.
Evito por isso engaiolar as aves.

terça-feira, 10 de junho de 2008

(153) SILÊNCIO

fotocantodocarlos
NA TERNURA DO ABRAÇO

segunda-feira, 9 de junho de 2008

(152) TOUPEIRAS NA CIDADE



Quando, por descuido ou a propósito, alguém pisa um carreiro de formigas, logo o alvoroço é estabelecido.
Da caminhada ordeira, organizada, resultam, por momentos, pequenas correrias, aparentemente sem destino.
Por magia, em breve é restabelecida a disciplina e o caminho retomado, com aparente indiferença pelos caídos que, também por vezes, são transportados na fila de novo organizada.
Os homens nas grandes cidades, comportam-se em regra como se dum constante pisão sofressem.
Correm para cá e para lá, pouco comunicam, e se o fazem é de puro reflexo, sem ao facto darem importância, nem tão pouco ao que dizem, atropelam-se, sem respeito ao próximo, e ignoram os caídos.
A frase corriqueira: não temos tempo !
Seja lá isso o que seja.
Como se o tempo existisse para além do aqui e agora.
Correm e daí a pouco voltam, certamente com a sensação da tarefa cumprida, ou talvez não.
Para apressar esse corre corre, construíram enormes toupeiras que ora os engolem, ora os dejectam e vice-versa, Ganham tempo: dizem !
Neste manicómio, resta ao suposto são sentar-se ao canto e tranquilamente gastar o seu TEMPO (?!) a ver passar a crise.
Implica humildade, amor à vida e quebra de ambição.
Não é fácil... nem facilitado.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

(151) NOITE MÁGICA

fotonasa
Aqui no cruzamento
Olhando o céu
ficamos a saber :
Para uma alma vinda das estrelas
nascer é morrer.

terça-feira, 29 de abril de 2008

(150) QUATRO CAMINHOS






APÓS 150 PEDALADAS,
A SUBIR E A DESCER
A GOSTO E A CONTRAGOSTO
CÁ CHEGUEI AO CRUZAMENTO:
MAIS À DIREITA NÃO DEIXAM

EM FRENTE É PROIBIDO
DO OBRIGATÓRIO NÃO GOSTO...
E SE VOLTASSE PARA TRÁS ?

MAS...DE ESTACIONAR NADA DIZEM
SENDO O SITIO TRANQUILO
LÁ TEREI DE APROVEITAR
E VOU FICAR POR AQUI.


(149) CONTROLOS


DADAS CERTAS SITUAÇÕES, PENSAVA EU JÁ NÃO HAVIA CONTROLO.
E, AFINAL, TANTO CONTROLO E TANTOS DESCONTROLADOS
NOSSA !!!
Posted by Picasa

(148) MAIS PALADINOS

fotocantodocarlos


NO CARNAVAL DESTE ANO
OS LENDÁRIOS HERÓIS DA BANDA DESENHADA APARECERAM QUASE TODOS POR AQUI .

Posted by Picasa

(147) OUTRO RECANTO

fotocantodocarlos







A velha cidade, ao Domingo, na tranquila ausência do humano.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

(146) DO CÉU

fotocantodocarlos (Varzea-Torres Vedras)

NAVES, APARENTEMENTE NÃO TRIPULADAS,
APROXIMAM-SE DA TERRA.
SÃO BELAS.

FÁCILMENTE NOS DEIXAREMOS CONQUISTAR!
Posted by Picasa

(145) HISTÓRIA E ARTE

fotocantodocarlos

A HISTÓRIA, A ARTE E O HUMOR
Posted by PicasaE MAIS ROLIÇAS NÃO PODIAM SER

domingo, 27 de abril de 2008

(144) SINOS

fotocantodocarlos

Numa passeata não prevista e para que fui empurrado por mão amiga, tomei nota da fragilidade das nossas memórias e arquivos e também como, por vezes, passamos ao lado de coisas da vida sem lhe prestar homenagem e a merecida atenção.
Desde meninos observamos os sinos e os seus encantamentos. Blão blão
Quantos de nós prestamos atenção aos seus apelos ?
Na verdade aquele blão, blão não é meramente repetitivo.
Serve, e é distinto, na tristeza e na alegria; na dor e no prazer. Chama à oração e avisa do perigo.
Quando tange, connosco fala.
E, sem querer fazer humor, chama à mesa da refeição.
Já era tempo !

sexta-feira, 25 de abril de 2008

(143) INVASORES

fotocantodocarlos (algures no oeste)

Na quebra da calmaria campestre, chegam, apoderam-se da terra e aguardam reforços.
São gigantescos troncos tubulares, cabeça ovóide e disforme, salpicando lampejos de força e poder e possuindo três enormes braços, nela implantados, que agitam a maior ou menor ritmo em atitude agressiva.
Alimentam-se do vento e dejectam energia.
Alguns anciãos, sábios e prevenidos, crêem sejam forças do mal, vindas do espaço, na busca de escravos neste planeta azul.
Outros, mais jovens, sabem tratar-se de criação humana, na tentativa gorada da conquista do conforto que, eles próprios, homens, tornaram desconfortável.
Outros ainda e tristemente a maioria, não sabem, não querem saber e não tem opinião. Limitam-se a destruir as dádivas.
E, no entremeio, aqueles gigantes vão tomando posse da terra até que o homem, no encobrimento da sua perpétua displicência, imagine e crie outra qualquer forma aparentemente menos hostil.
Por mim, sem temor, farei o percurso entre anciãos e jovens, na esperança, porventura vã, que dentre brumas e névoa surja quem em verdade nos liberte das grilhetas da auto-escravatura.

sábado, 19 de abril de 2008

(142) PALAVRAS


Trouxera um balde de palavras coloridas.
Umas belas, outras sofridas.
Lancei-as a esmo entre pinheiros bravos
Floriram papoilas, margaridas e cravos
E dentr'elas, sem cor
A ilusão e a dor
Todas sem sentido

Antes tivesse trazido
Palavras de Sol, Luz e Amor...

sexta-feira, 18 de abril de 2008

(141) O DEDAL



Recebi há dias curioso e interessante anexo, com explendidas fotos de que não conheço o autor mas reconheço o mérito, permitindo-me abaixo ilustrar este texto com algumas delas.
Da sua observação resulta a evidencia de que o mundo e tudo o que nos rodeia não foi mera oferta divina para nosso uso, como muitos crêem, e, bem ao contrário, mostra a nossa fragilidade e insignificância.
Sem filosofias, trata-se de simples comparações volumétricas entre corpos celestes, permitindo observar que, o nosso planeta azul, superando alguns é ínfimo para outros. ,

Claro não me atrevo a falar do homem e da sua dimensão neste conjunto, tanto mais sabendo que na sua origem está o fecundante espermatozóide, invisivel ao olho nu do humano e, dizem, o pequeno dedal tem capacidade para milhões deles.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

(140) ANGUSTIA

Sensibilidade, conhecimento e vida corrente no mesmo panelão podem produzir angustia quanta baste, sendo certo se o pedaço de vida resultar da cidade e a horas de ponta, na rua ou nos públicos transportes.
Vejamos:
Se o individuo caminha cabisbaixo carece de muita atenção para evitar a pisa de dejectos canideos e sujeita-se a topar alguma moeda quiçá indispensável a quem a perdeu.
Se caminha olhando para cima, não se iluda quando consegue lobrigar um pedaço de azul, riscado a branco. Não é céu, não são poéticas nuvens. Diz o conhecimento não serem mais do que meras circunstancias atmosféricas e suas condensações.
Aqui acresce o problema de estar atento às janelas e ao eventual lixo daí proveniente quando alguma "asseada" dona de casa resolve sacudirsos seus tapetes.
É assim e não me digam que também podemos caminhar olhando para os lados, para frente ou para trás.
Experimentem.
Só resulta se tivermos cuidado de fazer prévia toma de antidepressivo.
Enfim pode ser que o remédio seja (des)apurar um pouco a sensibilidade, muito do conhecimento, fugir da cidade, ir ao descampado e deixar que o instinto siga o seu livre curso na festa da natureza.
E hoje tive sorte, segui o voo duma negra ave, levando no bico amarelo fofuras para o seu ninho.
Cumprimento do instinto, sem mais; ternura na subjectividade do humano.

domingo, 13 de abril de 2008

(139) BARBA E CABELO

fotocantodocarlos

Alguns anos atrás, durante uns dias de veraneio junto ao mar, resolvi poupar-me ao fastio diário de rapar a cara.
Crescimento selvagem, sem aparadelas nem retoques.
Sem queixas da experiência, no regresso às lides, continuei a poupar-me.
E assim tem sido.
Não querendo porventura plagiar o Pai Natal e porque o continuo crescimento a isso era propicio, tentei conciliar o problema, não perdendo a mordomia do menor esforço.
De olho no interesse comum, ofereci então ao homem de quem mais gosto uma cortadora eléctrica e, pelo menos de três em três semanas, aí vou de romaria até sua casa.
Mete o pente adequado, algumas aparadelas, e lá se fica o excesso de pelo e cabelo.
Tem ele melhor profissão, pese embora não lha inveje, e assim fico na duvida se o corte é por gosto, pois de carinho é de certo.
E lá vou aproveitando.
Não pago, não gorgeteio, almoço, mato saudades e fico aviado por mais três semanas, mesmo que no entretanto lá retorne.
Parece justo ? Talvez não.
Não o faço porventura apenas por menor esforço.
Impera talvez o receio de voltar à moda antiga e, rapando o rosto, não encontrar o sujeito que naquela altura escondi.

terça-feira, 1 de abril de 2008

(138) AS VISITAS

Há quem adore visitas, outros nem tanto.
Vou situar-me na segunda hipótese, a menos venham a mim sem intenção da banalidade.
Os que trazem algo na cabeça e não chegam aperaltados, até gosto do bate papo sempre proveitoso.
Isto, claro, para visitas olho no olho.
Aqui é diferente
Quando permiti no blog a visita de todos, fui empurrado a três.
Primeiro, e entre tantos miles de blogs, passaria sem me lerem.
Segundo, se por acaso me visitassem, talvez até criticassem e provocassem alguma emenda nos disparates que passo.
Terceiro, visitassem ou não tanto me faria, este era o meu canto, sempre resguardado e guardado para lembrança futura, se é que isso existe.
Passados estes primeiros anos fiquei no meio, onde mora a virtude.
Visitam pouco.
Alguns curiosos que abrem, vão e não voltam, outros que não conheço abrem e com simpatia comentam, voltando por vezes, e alguns voltam dão o carinho e a ternura da amizade, vendo maravilhas porventura apenas existentes no filtro do seu coração.
Há outros ainda, também amigos, nunca comentando por escrito, fazem uso da critica oral.
O insólito vem do sul, de cidade bem airosa.
Alguém visita, visita e insiste.
Sei até ser a minha visita mais constante.
A essa sim, sou eu que peço um breve comentário, mesmo de maldizer.

sexta-feira, 28 de março de 2008

(137) VERDADE E FICÇÃO

fotocantodocarlos - manta rota
Este blog teve o seu inicio há alguns anos, noutro servidor, com outros nomes. resultado de dois factores, ambos da mesma raiz, curiosidade e aprendizagem duma tecnologia até então mais dominadora que dominada.
Era pois pressuposto acontecesse aquilo que no meu percurso tem sido habitual: experiência, toque e fuga sem entregar armas.
Fui porém enredado, como em algumas outras, poucas, ocasiões e a experiência resultou na continuidade.
Sou disciplinado e daí a rigidez, quer do estilo quer da sistematização e da própria apresentação.
Defeitos de certo modo mutantes em virtudes, facilitadoras do acesso a entradas antigas.
Acusaram-me de mentir nos meus escritos.
Reservei um pouco da minha gasta paciência no exame do problema, não porque tal me incomode, mais por não ser essa a intenção.
Servindo-me da facilitação já mencionada, abri as arcas e, dentre tesouros e quinquilharia, acabei por apreciar a manutenção deste arquivo.
Algumas dessas entradas, embora tesouros pessoais, não deixam de me causar algum embaraço.
Por vezes desconheço o discurso, noutras reconheço entre linhas o sem sentido da vida na sua continua dinâmica, permitindo deixar para trás o que na verdade já não é, e sem a relevância ao momento de então, como descargas eléctricas de actividade perdida neste tempo/espaço sem medida.
Cheguei a conclusões conhecidas.
Nem tudo na vida são verdades e abunda a ficção no parco espaço chamado de percurso de vida.
Nem sempre gostamos de nos centrar no epicentro da acção e a ficção não passará da franja de verdades que nos passam ao lado e evitamos ou raramente temos coragem de agarrar, preferindo as simulações que nos isentam dos precipícios a que a prática pessoal com frequência conduz.
E assim vai navegando o meu intimo, evitando despir-se de todo pelo uso do ténue véu das minhas próprias verdades e ficções.
E aqui sim, na esperança do engano a mim próprio, coloco a verdade na ficção e faço trocas no enredo.
Não é mentira, diria esperança...
Esperança de mudança !

terça-feira, 25 de março de 2008

(136) SONS

fotocantodocarlos
....
DOIS SONS RICOS
...
DE OURO E PRATA

(135) PRIMAVERA

fotocantodocarlos
INTENÇÃO NA MISTURA
HARMONIA, COR, RITMO
SUBLIME SENTIDO DA NATUREZA
GARANTE DO RENOVO

(134) FANTASIAS








LOUCURAS NA VARZEA
AR
AGUA
TERRA
E ALGUM FOGO
fotoscantodocarlos

(133) DE FRENTE E DE COSTAS


POR MIM, CONFESSO, NÃO ACHO GRANDE DIFERENÇA, NEM TÃO POUCO GRAÇA
E, MENOS AINDA,
ASO PARA PETULÂNCIA.
...

PODE SER QUE O VALOR ESTEJA NO QUE ESCONDEM NA CABEÇA ?! PODE SER...
fotocantodocarlos