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sábado, 2 de maio de 2009

(251) Ainda outra Lisboa


Esta outra, de belíssimos pormenores, é ponto obrigatório para milhares de automobilistas que a lobrigam ao longe e de certo por vezes a rodeiam.
No percurso, os semáforos obrigam a umas curtas paragens, compadecidos, na esperança vã de mostrar beleza, decerto insuficiente pois o condutor terá outros problemas: na perícia da condução, no estupor do chefe que o vai chatear por chegar tarde ou na crise de que todos falam, e ainda terá de responder a um insulto ou outro quando faz de papo seco que é como quem diz as regras não cumpre, tendo também de buzinar umas quantas vezes.
Se os monumentos tivessem alma muito haviam de padecer, estão sujeitos a intempéries e ao ataque sistemático da poluição humana e dos dejectos das aves que ali pousam arrulhando e talvez observando a indiferença da espécie que as criou e por ali passa como por vinha vindimada.
E ainda me pergunto, porque será que grande parte dos residentes gastam as suas férias embasbacando-se com monumentos noutros países ?
Bom não vale a pena irritar-me e lembrei-me agora duma letra que andava por aí (aquela do tempo volta para trás). E já agora fosse no tempo, em que havia tempo e havia gente com tempo para olhar um pedaço de dura pedra ver a obra nela inserida e, pacientemente, com todo o tempo do mundo, ir desbastando e lascando o que no bloco estava a mais.
Quanta serenidade e felicidade conteria esse acto
Fica um pequeno grande pormenor do monumento.

terça-feira, 28 de abril de 2009

(250) Mais Lisboa





Outra pequena maravilha daquela cidade e o seu pormenor, onde, para baixo e para cima passam diariamente milhares de seres.
Disse-me uma formiga que a grande diferença entre elas e os homens, naquelas idas e vindas desenfreadas, é que elas sabem o caminho.
Por isso os humanos passam junto a estas belas obras e não dão por elas ?
Ou será pela canseira da dureza da vida na procura do pão ?
Ou além do pão há outra ambição ?

segunda-feira, 27 de abril de 2009

(249) Por inteiro






Aqui repito, desta vez por inteiro, esta magnifica obra, que me parece passar despercebida numa das maiores artérias de Lisboa.
Continuo a realçar a riqueza do pormenor, movendo-me apenas a exaltação do artista que a concebeu.
Estou também certo da beleza transitória do modelo.

sábado, 25 de abril de 2009

(248) O domador




Ainda o vidro da máquina que me serve.
Ao gigante e ao leão, dei um tempo a observá-los.
Fitam as águas conspurcadas e serenas do rio
que abraça e corre a cidade que tanto lhes deve
E nisto, ideia peregrina me surgiu
Voar um pouco e abraçá-los

(247) O vidro





O vidro da minha máquina tem destas coisas.

De vez em vez extasia-me, encontrando beleza no pormenor, onde o artista empenhou a sua força, evitando que me passe despercebido.

Por isso aqui fica o meu humilde agradecimento.

E Lisboa, também às vezes é assim !