É proposto reflectir sobre a influencia que possa ter tido em mim o atendimento de prevenção do suicídio, anónimo, solitário e pontual em que durante anos escutei a angustia, o desespero e a solidão dos outros.
Quando iniciei essa escuta, há muito andava eu prenhe de raiva e intolerância. Duas figuras um tanto mesquinhas porém garantes da continuação da vida, mesmo quando tudo indica o contrário. Magnificas substitutas do desânimo e da apatia, estas por certo levando a outros caminhos.
Creio que nunca fui menino e daí sempre considerei a vida tarefa árdua. O fardo é difícil de transportar na subida e, por vezes, também na descida, ao contrário do que dizem dos santos.
O intolerante, por demasiado assertivo e pleno de disciplina, não é de todo bem visto. Assemelha-se ao ditador.
Porém nele coabitam a convicção e a justiça.
Quando critica os outros, exige o dobro de si.
Já a raiva é menos nobre, tem outra cor.
É aversão, falta de crença, não aceitação, contrariedade. O “porquê eu ?”.
Pela via errada, é luta contra a soberana ditadura da natureza.
Lá me integrei no tal de atendimento. Anos pesados que foram !
Na mistura de todas aquelas cores de sofrimento, mergulhei as minhas emoções e dei o braço à amargura dos outros.
Quando iniciei essa escuta, há muito andava eu prenhe de raiva e intolerância. Duas figuras um tanto mesquinhas porém garantes da continuação da vida, mesmo quando tudo indica o contrário. Magnificas substitutas do desânimo e da apatia, estas por certo levando a outros caminhos.
Creio que nunca fui menino e daí sempre considerei a vida tarefa árdua. O fardo é difícil de transportar na subida e, por vezes, também na descida, ao contrário do que dizem dos santos.
O intolerante, por demasiado assertivo e pleno de disciplina, não é de todo bem visto. Assemelha-se ao ditador.
Porém nele coabitam a convicção e a justiça.
Quando critica os outros, exige o dobro de si.
Já a raiva é menos nobre, tem outra cor.
É aversão, falta de crença, não aceitação, contrariedade. O “porquê eu ?”.
Pela via errada, é luta contra a soberana ditadura da natureza.
Lá me integrei no tal de atendimento. Anos pesados que foram !
Na mistura de todas aquelas cores de sofrimento, mergulhei as minhas emoções e dei o braço à amargura dos outros.
Notei existirem dores mais fortes que as minhas ou pior suportadas, atingindo por vezes o desejo expresso de partir.
Acabei também por escutar com todos os sentidos, aquelas vozes sem rosto, no grito dos seus pesares.
Partilha ? Não, não creio ! Foi por inteiro !
Pacifiquei a alma. Serenei.
No reino das solidões consegui situar a minha.
Lavei a raiva, aceitando a dos outros.
Aos outros aceito e compreendo, e até mantenho amizade com seres com vidas, sentires e condutas diferentes das minhas, na convicção de que não sou dono da verdade, nem sequer sei bem onde ela mora.
Intolerante, ainda sou, comigo próprio. Exijo-me.
Um destes dias irei perdoar-me! Prometo !
E assim a vida me mostrou que, e apesar de, sou um privilegiado.
Acabei também por escutar com todos os sentidos, aquelas vozes sem rosto, no grito dos seus pesares.
Partilha ? Não, não creio ! Foi por inteiro !
Pacifiquei a alma. Serenei.
No reino das solidões consegui situar a minha.
Lavei a raiva, aceitando a dos outros.
Aos outros aceito e compreendo, e até mantenho amizade com seres com vidas, sentires e condutas diferentes das minhas, na convicção de que não sou dono da verdade, nem sequer sei bem onde ela mora.
Intolerante, ainda sou, comigo próprio. Exijo-me.
Um destes dias irei perdoar-me! Prometo !
E assim a vida me mostrou que, e apesar de, sou um privilegiado.







































