Desta vez o sujeito que coabita comigo saiu da linha.Daí resultará uma briga e tanto.
De resto, e consultando os meus arquivos, a harmonia, se existiu, limitou-se à infância, tempo em que já mostrava aquele seu jeito de ser.
Ultrapassada essa época própria da inocente candura, iniciou o seu rosário de acusações à minha forma de estar, imputando-me o facto de nunca termos sido meninos de verdade.
No fundo somos um do outro e até penso que nos completamos, talvez até pela relação de tempestade e bonança e do seu vice versa.
Nunca diria que a relação seja de amor-ódio, antes de amor-dor, de que ele, inexplicavelmente, parece tirar prazer.
Não faria sentido a vida de um sem o outro e até aceito as diferenças.
São sempre vantajosas na temperança dos actos. Conversamos.
Somos Balança, supostamente equilibrados, disciplinados e outros ...ados.
Por tal não cai bem, o abuso de que ele faz constante uso. Garantes do signo ficam apenas os meus actos.
As tarefas são concretas: a ele cabe seduzir e cativar, a mim manter e sustentar. Deste meu trabalho indispensável à continuidade, obviamente não transparece o charme.
Semelhança a esta aridez, só encontro no trabalho anónimo das lidas de casa, tanta canseira feita e desfeita, nunca concluída nem reconhecida.
Claro não estou a puxar a brasa à minha sardinha. Só queria um pouco mais de respeito e reconhecimento.
Gostaria que, deitado eu, para repousar e cuidar desta nossa morada, não viesse dos seus devaneios, donde por vezes regressa tantas da noite, e inopinadamente, sem nada me contar ou discutir essas aventuras virtuais, me obriga a pegar na caneta ou a digitar directo ao PC, as extravagancias imaginadas nos seus delírios.
Gostaria reconhecesse não poder satisfazer esse vicio sem mim... retirando arrogância, intolerância, petulância ou outras ...âncias de que é tão fecundo.
Sim. Mas isto já vai longo e a causa do desabafo por esclarecer.
Vamos lá.
Sorridente, simpático, mordaz, dizia que eu, bastas vezes no passado, “nos” obrigara a vestir a pele do animal (e isto no sentido pejorativo, não tendo o burro culpa, antes havia de merecer reconhecimento dos (des)humanos que o escravizam e exploram).
Ferido, amesquinhado, contestei, sem grande convicção, rebatendo o exagero.
Levou-me lá ao fundo a rever algumas cenas das fitas do nosso comum passado noutro espaço temporal, em que também ele próprio me dava mais facilidades.
Tinha razão. Estava demonstrado.
Ele sabia, porém, ter sido a necessidade da continuidade e no contexto de então.
Perdi. Foi cruel, nem mostrou compaixão.
Valerá a pena entrar na senda da mesquinha vingança e deixar de lhe passar textos ?
Meditarei...e vou ter em conta a solidão. Não vivo sem ele.












































